“Será apenas uma questão de tempo até que todas as empresas comecem a adotar a Inteligência Artificial”, diz o Diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft

A Executive Digest falou com Manuel Dias, Diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft, para conhecer o real impacto da IA nas organizações, os desafios da sua adoção e as potencialidades para o futuro.

André Manuel Mendes
Fevereiro 6, 2024
12:57

A Inteligência Artificial (IA) desempenha um papel fundamental na transformação e no sucesso das empresas nos tempos modernos. Ela oferece às empresas a capacidade de analisar grandes volumes de dados de forma rápida e eficiente, permitindo insights valiosos para tomadas de decisão estratégicas., bem como a automatização de tarefas repetitivas, libertando tempo e recursos humanos para atividades mais criativas e de maior valor acrescentado.

A Executive Digest falou com Manuel Dias, Diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft, para conhecer o real impacto da IA nas organizações, os desafios da sua adoção e as potencialidades para o futuro.

 

Como definiria Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial (IA) é uma tecnologia definidora do nosso tempo, que veio transformar a forma como vivemos e trabalhamos. O ritmo da inovação nos últimos anos, em particular nos últimos 12 meses, foi espantoso, o que nos leva a acreditar que 2024 será o ano da consagração e consolidação desta ferramenta tecnológica inovadora.

Na prática, e como começamos a assistir, a IA tem o potencial de melhorar a eficiência e a produtividade em diversos setores, desde a digitalização de processos e plataformas até à inovação contínua nos produtos e serviços. Além disso, a IA generativa, que inclui grandes modelos de linguagem (LLMs) como o chatGPT, está a emergir como uma ferramenta indispensável, capaz de dar resposta a alguns dos problemas do mundo, sejam relacionados com as organizações, com as pessoas ou a sociedade.

 

De que forma a IA tem impactado a eficiência operacional e a produtividade nas empresas?

Encontramo-nos num ponto de inflexão da evolução tecnológica, onde a tecnologia é capaz de proporcionar às organizações oportunidades incríveis para potenciar a capacidade humana com a integração da IA. Ao liberar as pessoas de tarefas repetitivas e monótonas, abrimos espaço para que possam expressar a sua criatividade, concentrando-se em tarefas mais estratégicas e inovadoras.

Sendo que este não é apenas um avanço em termos de produtividade, mas também a nível operacional: um estudo recente da Microsoft mostrou que a grande maioria (89%) das pessoas que têm acesso a ferramentas automatizadas e impulsionadas por IA sentem-se mais realizadas porque podem dedicar tempo a trabalhos que realmente importam. Também referem que ter a capacidade de automatizar tarefas os ajuda a trabalhar mais facilmente com outras equipas (88%) e confiam nas funcionalidades da IA para melhorar a resolução de problemas (54%).

Paralelamente ao aumento da produtividade, da criatividade e da eficiência operacional, a IA, quando alinhada com a estratégia do negócio pode obter um rápido retorno sobre o investimento, especialmente quando a inteligência é aplicada para apoiar casos de uso de elevado valor, como a segurança, a perceção de dados e a assistência à codificação. De acordo com um estudo realizado pela Microsoft em parceria com a IDC, na Europa, por cada 0,91 euros que uma empresa investe em IA, está a obter um retorno médio de 3,06 euros, sendo que 67% dos inquiridos afirma já estar a utilizar ferramentas de IA nas suas organizações e 21% está a planear fazê-lo nos próximos 12 meses.

 

Quais são os benefícios percebidos em termos de automação de tarefas rotineiras?

Em março, a Microsoft apresentava o Copilot para o Microsoft 365, um copiloto para o trabalho que utiliza IA para reduzir a dívida digital e aumentar a produtividade e criatividade. Como resultado, 70% dos utilizadores do Copilot confirmou serem mais produtivos e 68% referiu ter melhorado a qualidade do trabalho.

De uma forma geral, 77% afirmou que, depois de utilizarem o Copilot, não querem deixar de usar, uma vez que lhes permite serem mais rápidos em tarefas específicas (29%), a passarem menos tempo a processar emails (64%), a facilitar o início de um primeiro rascunho (87%) e a poupar tempo a encontrar os ficheiros necessários (75%).

Foi com base nestes, e outros, indicadores, que a Microsoft assumiu o compromisso contínuo de democratizar o acesso a IA para que todos possam desenvolver, utilizar e beneficiar desta ferramenta. Um dos mais recentes avanços nesse sentido, foi a expansão do Copilot para o Microsoft 365 para organizações de todas as dimensões e o lançamento do Copilot Pro, uma nova subscrição que oferece as funcionalidades e recursos mais avançados do Microsoft Copilot aos consumidores que pretendem melhorar a sua experiência no Copilot.

 

Quais são os principais desafios éticos associados ao uso da IA nas empresas?

A par da transparência e responsabilidade, diria que a privacidade dos dados, uma vez que a implementação da IA requer, muitas das vezes, a análise de grandes volumes de informação. Esta realidade impõe a necessidade de adotar medidas para salvaguardar a privacidade das pessoas, tornando-se assim crucial estabelecer políticas éticas de gestão e utilização de dados.

Na Microsoft, acreditamos que ao criar tecnologias capazes de mudar o mundo, temos o dever de garantir que essas tecnologias são utilizadas de forma responsável e que não resultem neste género de desafios éticos para as organizações. Alinhados com o mais recente AI Act, que visa assegurar que os sistemas de IA colocados e utilizados no mercado europeu sejam seguros e respeitem os direitos fundamentais e os valores da União Europeia, comprometemo-nos a desenvolver uma IA responsável desde a sua conceção.

O nosso trabalho é orientado por um conjunto fundamental de princípios: equidade, fiabilidade e segurança, privacidade e segurança, inclusividade, transparência e responsabilidade, sendo que estamos a aplicar esses princípios em toda a empresa para desenvolver e implementar IA que tenha um impacto positivo na sociedade.

 

Como é que as organizações estão a lidar com preocupações relacionadas à privacidade e segurança de dados?

Antes de mais, importa referir que as organizações estão cada vez mais conscientes da importância de normas como o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia, que visa precisamente estabelecer regras a nível global em termos de direitos de privacidade, segurança e compliance. Na Microsoft, partilhamos a convicção de que a privacidade é um direito essencial, e vemos o RGPD como um passo significativo para proteger e respeitar os direitos de privacidade das pessoas.

Por outro lado, sentimos, também, que existe uma maior sensibilização para questão da cibersegurança. Como partilhado no último Microsoft Digital Defense Report, a implementação de práticas de cibersegurança permite uma proteção eficaz contra a grande maioria dos ciberataques, que, em caso contrário, poderiam colocar em risco a privacidade e a segurança de dados, sejam das pessoas ou da própria organização. Em resposta a esta necessidade a nível global, a Microsoft lançou a Secure Future Initiative (SFI), com pilares centrados nas cibersegurança baseada na IA, nos avanços na engenharia de software fundamental e na defesa de uma aplicação mais forte das normas internacionais para proteger as pessoas das ciberameaças.

 

De que forma as empresas que adotam a IA ganham vantagem competitiva?

Ao longo dos últimos meses, temos assistido, tanto por parte dos utilizadores, como das organizações, a uma maior utilização destas tecnologias inovadoras. À medida que a IA atinge o mercado de forma massiva, será apenas uma questão de tempo até que todas as empresas comecem a adotar a IA.

Para dotar as organizações com o conhecimento necessário sobre IA para se manterem competitivas, lançámos o primeiro curso de Inteligência Artificial para a Administração Pública, dinamizado pelo Instituto Nacional de Administração (INA) e com o apoio de seis universidades. Este programa, que resultou, na primeira edição, num total de 40 formados de 27 organismos públicos, tem como principal objetivo dotar os líderes da administração pública com as competências necessárias para desenvolverem estratégias que valorizem o potencial da IA nas suas organizações.

 

Quais são as tendências emergentes que podem moldar ainda mais o papel da IA na tecnologia empresarial?

Uma das tendências emergentes, que surgiu em 2023, mas que iremos assistir a uma implementação mais completa este ano, será a utilização da IA generativa em assistentes virtuais que nos ajudam a fazer parte das tarefas do dia-a-dia, agilizar processos, aumentar a eficiência e a produtividade.

Neste campo, gostaria de destacar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Agência para a Modernização Administrativa (AMA), responsável por lançar um assistente virtual com IA para o setor público português, que permite apoiar o cidadão na sua interação digital com os serviços públicos, mais concretamente a Chave Móvel Digital. Este género de use cases são a prova de que a boa utilização da IA representa um mundo de oportunidades que podem ter o potencial de revolucionar o setor público, mas não só. Temos, também, o caso dos CTT – Correios de Portugal, que lançaram um chatbot com IA generativa para proporcionar um nível incomparável de apoio a todos os clientes, ou o caso da Justiça, que lançou um Guia Prático da Justiça (GPJ), assente numa componente de inteligência artificial (modelo de linguagem GPT 3.5), para disponibilizar informação sobre o Casamento, o Divórcio e a Criação de Empresas.

 

Este será um dos temas quentes da edição deste ano do Building The Future. O que esperar do evento e que mensagem querem passar no final?

Gosto particularmente do tema desta edição, os Superpowers: The Digital Human (R)evolution. Nesta 6ª edição, que conta com o patrocínio principal da Microsoft e organização da imatch, vamos precisamente explorar de que forma a tecnologia, mas em particular a IA, está ou vai impactar quatro grandes pilares: Human Super Powers, Societal Impact, Intelligent Organizations e Organizational Transformation.

Para isso, e uma vez que queremos que este seja um evento de Portugal para o mundo, com o acesso online gratuito para todos, mas também do mundo para Portugal, vamos trazer oradores de renome nesta área a nível internacional, mas também nacional. A título de exemplo, entre os mais de 40 oradores que vão subir ao palco no dia 21 e 22 de fevereiro, no Convento do Beato, em Lisboa, gostaria de destacar a presença de Pascal Bornet, um especialista premiado, autor, keynote speaker e influenciador em IA e Automação, Ian Beacraft, CEO da Signal e Cipher, é considerado uma das principais vozes da Inteligência Artificial e do futuro do trabalho, e José Manuel Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia.

Em cinco edições, conseguimos alcançar mais de 75 mil participantes, contar com a participação de mais 1 100 oradores, fizemos mais de 590 sessões e impulsionámos mais 26 mil conexões. Números que fazem deste o evento à escala nacional mais importante de transformação digital, pelo que queremos manter esta ambição para esta nova edição e motivar o maior número de pessoas a compreende, a adotar e a tirar o melhor partido possível das tecnologias.

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