O número de pessoas diagnosticadas com a Covid-19 nos últimos sete dias foi quase duas vezes o registado no pico anterior, impulsionado pela disseminação da variante Ómicron pelo planeta. Mais contagiosa, a nova variante foi responsável pela maioria dos 10,1 milhões de casos contabilizados entre 26 de dezembro e 2 de janeiro. O recorde semanal anterior, registrado no fim de abril do ano passado, era de 5,7 milhões.
A Ómicron do SARS-CoV-2 pode ser já o vírus de mais rápido propagação da história, segundo o médico infetologista americano Roby Bhattacharyya, do Hospital Geral de Massachusetts. A nova estirpe é dominante em várias nações do mundo e está a levar à explosão do número de casos da Covid-19.
“É uma propagação incrivelmente rápida”, alertou Bhattacharyya, que fez o cálculo entre a Ómicron e o sarampo, um dos vírus mais contagiosos, e concluiu que, num cenário de ausência de vacinação, um caso de sarampo daria origem a mais 15 casos em apenas 12 dias. Já um caso da Ómicron provocaria 216 casos no mesmo período. A estimativa aponta que, em 35 dias, a Ómicron podia atingir 280 mil pessoas, ao passo que o sarampo ia afetar 2.700.
No entanto, num cenário em que a maioria da população está vacinada ou já teve Covid-19, o especialista estimou que um caso da Ómicron dê origem a apenas mais três casos, número semelhante ao do vírus original, ausente de mutações.
“Nas condições atuais”, com vacinação e restrições, “um modelo simples de crescimento exponencial revelaria 14 milhões de pessoas infetadas com Ómicron a partir de um único caso, em comparação com as 760 mil infetadas com sarampo numa população sem defesas específicas”, adiantou o médico.












