Um recente surto de varíola dos macacos nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Médio Oriente tem confundido os especialistas em saúde e está a levantar preocupações sobre um possível surto mais amplo. Esta expansão do ‘monkeypox’ marca a primeira disseminação comunitária conhecida do vírus. Antes deste surto, os casos eram vinculados a viagens onde o vírus é endémico ou animais importados portadores do vírus.
A maioria dos novos casos espalhou-se pelo sexo, com uma concentração particular na comunidade homossexual. No entanto, a Organiazação Mundial de Saúde alertou que qualquer pessoa pode estar em risco de contrair o vírus – crianças, gestantes e imunocomprometidos são considerados particularmente em risco. “Qualquer pessoa que tenha contacto próximo com alguém infecioso está em risco”, alertou a OMS na passada 5ª feira.
A varíola dos macacos é uma doença rara causada pelo vírus monkeypox, parte da mesma família da varíola embora normalmente menos grave. As vacinas contra a varíola provaram ser 85% eficazes contra a varíola dos macacos.
A OMS já garantiu que é improvável que seja necessárias vacinações em massa para combater o aumento de casos. Mas, dado o ritmo do surto e a falta de clareza em torno da sua causa, o órgão de saúde pública exortou as pessoas a praticarem uma boa higiene e sexo seguro para ajudar a controlar a sua propagação.
Embora os especialistas em saúde concordem que os riscos para o público em geral são baixos, existem várias precauções que devem ser tomadas para reduzir o risco de contrair o vírus, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e da OMS, que incluem:
– Evite entrar em contato com pessoas recentemente diagnosticadas com o vírus ou que possam ter sido infetadas.
– Use uma máscara facial se estiver em contato próximo com alguém que tenha sintomas.
– Use preservativos e fique atento aos sintomas se mudou de parceiro sexual recentemente.
– Evite entrar em contacto com animais que possam estar a carregar o vírus. Isso inclui animais doentes ou mortos e particularmente aqueles com histórico de infeção, como macacos, roedores e cães da pradaria.
– Pratique uma boa higiene das mãos, especialmente após entrar em contacto com animais ou humanos infetados – ou suspeitos de infeção. Por exemplo, lave as mãos com água e sabão ou use um desinfetante para as mãos à base de álcool.
– Use equipamento de proteção individual ao cuidar de pacientes com infeção confirmada ou suspeita de varíola dos macacos.
– Coma apenas carne que tenha sido bem cozida.
O monkeypox também pode ser transmitido através de superfícies e materiais, por isso é aconselhável evitar tocar em materiais que estiveram em contacto com um humano ou animal doente. “Este é um vírus que é superestável fora do hospedeiro humano, então pode viver em objetos como cobertores, entre outros”, explicou Scott Gottlieb, ex-comissário da FDA, na passada segunda-feira. “A boa prática seria lavar regularmente roupas e lençóis em alta temperatura”, referiu Emmanuel Andre, professor de medicina da Universidade Ku Leuven, na Bélgica, à CNBC na quarta-feira.
No entanto, o especialista garantiu que não acha necessário que o público em geral comece a evitar áreas públicas, táxis, centro comerciais e hotéis. “A população em geral não precisa tomar muito mais precauções do que tomamos na vida normal”, apontou. “Se as pessoas estão na população de alto risco, onde estão cientes de que estão num ambiente de alto risco, devem tomar precauções extras.”
E se contrair o vírus, o que posso fazer?
Se suspeitar que pode ter contraído varíola, deve isolar-se do contacto físico com outras pessoas e procurar orientação médica imediatamente.
Os sintomas iniciais da varíola do macaco incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço e dor nas costas. Surgem erupções cutâneas e lesões geralmente no rosto, mãos, pés, olhos, boca ou genitais dentro de 1 e 5 dias. Essas erupções transformam-se em inchaços elevados e depois em bolhas, que podem encher-se de líquido branco antes de quebrar e formar crostas.
Muitos dos sintomas do vírus podem ser facilmente confundidos com outras doenças, como varicela, herpes ou sífilis, por isso a confirmação médica é importante. Se for diagnosticado com varíola dos macacos, vai precisar de se isolar até que o vírus passe. A doença é geralmente leve e a maioria das pessoas recupera-se entre 2 e 4 semanas.













