Um aluno de 10 anos detido na Flórida em 28 de maio, depois de fazer ameaças de realizar um tiroteio em massa, é o mais recente de uma série de suspeitos presos pela polícia norte-americana por fazerem ameaças deste tipo, desde a tragédia em Uvalde, Texas, na semana passada.
Segundo a ‘Newsweek’, a polícia está a ser alvo de um maior escrutínio das suas ações e a recente série de detenções feitas em todo o país em resposta a ameaças de tiroteio, nos últimos dias, pode ser vista como uma vontade de mostrar que as autoridades não querem arriscar uma repetição do que aconteceu em Uvalde.
Em Long Island, Nova Iorque, um estudante de 16 anos foi preso na semana passada depois de fazer ameaças no Instagram. de que iria realizar um tiroteio em massa na sua escola, Bellport High School, no dia seguinte.
A mensagem levou várias pessoas a ligar para o 112 e a polícia do condado de Suffolk conseguiu vincular a publicação ao adolescente, com a ajuda do FBI. O jovem foi inquerido e uma busca na casa provou que não tinha armas dentro do prédio, levando a polícia a concluir que não representava uma ameaça real.
Num outro caso, Corey Anderson, de 18 anos, foi preso na semana passada em Lutz, Flórida, depois de publicar uma imagem sua no Instagram vestido com o que parecia ser um colete estilo tático e a segurar uma arma e um rifle. Na legenda dizia: “Siri, dá-me direções para a escola mais próxima”.
Investigadores do escritório do xerife do condado de Hillsborough descobriram que as armas eram na verdade armas de airsoft e o jovem provavelmente estava a fazer algum tipo de “piada doentia” após o tiroteio em Uvalde.
No sábado, o Gabinete do Xerife do Condado de Lee disse que foi informado de um texto preocupante enviado por um aluno da Patriot Elementary School em Cape Coral. O caso foi imediatamente assumido pela Equipa de Aplicação de Ameaças Escolares, que envolveu a Divisão de Investigações Criminais dos Serviços Juvenis.
O aluno foi interrogado pelas autoridades e preso no mesmo dia, sob a acusação de fazer uma ameaça por escrito para realizar um tiroteio em massa. Um vídeo partilhado pelo Gabinete do Xerife do Condado de Lee mostra o aluno a ser levado para fora da escola algemado por um agente policial.
Recorde-se que 21 pessoas morreram, incluindo 19 crianças e dois adultos, num tiroteio em massa que ocorreu na terça-feira da semana passada numa escola primária na cidade na cidade de Uvalde, no estado norte-americano do Texas.
O tiroteio em Uvalde é o segundo mais mortal depois do ocorrido numa outra escola primária, Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, em dezembro de 2012, que custou a vida a 20 crianças e seis adultos.
Segundo a Education Week, desde 2018 há registo de 119 tiroteios em escolas norte-americanas. Só este ano já aconteceram 27, contando com este último que aconteceu.
Em 2021 o país registou 34 tiroteios em instituições de ensino (o maior desde que a organização iniciou o seu banco de dados). Em 2020, foram 10 tiroteios. Tanto em 2019 como em 2018 há registo de 24 incidentes em escolas.
Já no geral, dados da ‘Gun Violence Archive’, uma organização independente de recolha de dados, mostram que só este ano já há registo de 212 tiroteios em massa.
No ano passado, os Estados Unidos registaram 693 tiroteios em massa, segundo o a mesma organização. No ano anterior foram 611. E em 2019, 417, o que reflete a tendência de aumento ao longo dos anos.













