Rússia demite 115 soldados do suposto “exército privado” de Putin por se recusarem a lutar na Ucrânia

Desde a invasão de Moscovo à vizinha Ucrânia, diversos relatórios têm apontado que os militares russos têm sido atormentados pelo baixo moral, com relatos de soldados que alegam que não sabiam que estavam a ir para a guerra até cruzarem a fronteira da Ucrânia

Francisco Laranjeira

Mais de 100 guardas nacionais russos foram demitidos por se recusarem a lutar na Ucrânia, segundo revelaram diversos documentos judiciais, em mais uma prova clara da dissidência entre algumas partes das forças de segurança da Rússia sobre a invasão da Ucrânia.

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Os casos dos 115 guardas nacionais, uma força também conhecida como ‘Rosgvardia’, vieram a lume na passada 4ª feira, segundo revelou o jornal britânico ‘The Guardian’, depois de um tribunal russo local ter rejeitado o processo coletivo que contestava a demissão. Segundo a decisão judicial, publicada no site do tribunal, o processo foi arquivado depois de o juiz ter determinado que os soldados tinham sido demitidos por “recusar-se a cumprir uma missão oficial” para lutar na Ucrânia e, em vez disso, regressaram a um posto de serviço. O recurso ocorreu em Nalchik, capital da república cabardino-balcária no Cáucaso russo, onde a unidade está sediada.

Desde a invasão de Moscovo à vizinha Ucrânia, diversos relatórios têm apontado que os militares russos têm sido atormentados pelo baixo moral, com relatos de soldados que alegam que não sabiam que estavam a ir para a guerra até cruzarem a fronteira da Ucrânia.

Andrei Sabinin, advogado que representou os 115 soldados, disse que a decisão do tribunal foi “sem precedentes”, dada a complexidade do caso. “Expresso dúvidas sobre a justiça do processo como um todo porque negaram aos meus clientes que convocassem certas testemunhas e vários documentos foram rejeitados pelo tribunal.” Segundo Sabinin, os comandantes da unidade de ‘Rosgvardia’ ofereceram aos soldados a opção de não lutar e sua demissão foi ilegal.

A Rússia criou a ‘Rosgvardia’, uma força militarizada separada do exército, em 2016 para combater o terrorismo e manter a ordem pública. Desde a sua criação, os membros do ‘Rosgvardia’, muitas vezes referido como o “exército privado” de Vladimir Putin, estiveram principalmente envolvidos na repressão a protestos pacíficos contra o Governo.

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