Com mais peso, sono e maior dependência de álcool e medicação: É assim que os portugueses vivem no pós-pandemia

A conclusão é de uma investigação, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que avaliou o impacto de dois anos de pandemia.

Executive Digest com Lusa

Uma investigação, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que avaliou o impacto de dois anos de pandemia sob o ponto de vista económico, social e político, concluiu que os portugueses estão agora mais gordos e cansados.

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Analisando o impacto das medidas restritivas sociais (como os confinamentos) na saúde e no bem‑estar dos portugueses, o estudo destaca alguns indicadores que já tinham sido apontados noutras investigações, como o aumento de peso (31% dos inquiridos), a redução das horas de sono (30%), o aumento do consumo de psicofármacos (9,4%) e de tabaco e álcool (8,1%).

“Estes impactos negativos afetaram sobretudo os mais jovens (menos de 30 anos) e foram mais evidentes entre as mulheres, exceto no que se refere ao consumo de tabaco e álcool”, sublinham os autores.

Este estudo recolheu dados em dois momentos: no final do segundo confinamento (março a maio de 2021) e em setembro e outubro de 2021, que correspondeu a um período de redução de restrições e de altas taxas de vacinação entretanto alcançadas.

Em termos de saúde mental, comparou os anos de 2020–2021 com a média dos três anos anteriores, concluindo por um aumento das ocorrências relacionadas com problemas psiquiátricos e suicídio (mais 7% e 18%, respetivamente).

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Contudo – referem os autores – os níveis de ansiedade e os sinais de depressão verificados no primeiro momento de recolha “foram bastante moderados e tenderam a manter-se durante o segundo momento”, sendo que o medo associado à covid-19 diminuiu entre o primeiro e o segundo momento de recolha de dados.

Os autores consideram ainda que o bem-estar subjetivo se revelou baixo, “especialmente para a população com menos de 50 anos”, mas sublinham que a satisfação com a vida melhorou do primeiro para o segundo momento de recolha de dados.

Para além disto – destacam – “os inquiridos estimam um aumento substancial da sua satisfação com a vida dentro cinco anos, o que pode ser visto como um indicador de resiliência e esperança no futuro por parte da população portuguesa”.

Para o futuro, os autores consideram determinante continuar a monitorizar o estado de saúde da população, a capacidade de resposta do sistema de saúde português “e as principais políticas para combater e mitigar esta crise nas suas várias vertentes”, mas também “antever e planear outras possíveis crises”.

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