Ucrânia deve ceder território e Ocidente não pode humilhar Putin, alerta ex-secretário de Estado americano

Henry Kissinger frisa que o Ocidente não pode permitir uma aliança mais estreita entre a Rússia e a China

Francisco Laranjeira

Henry Kissinger apontou que a Ucrânia deve ceder território à Rússia para terminar a guerra, enquanto alertou o Ocidente que uma derrota humilhante poderia resultar numa desestabilização mais ampla. O lendário estadista, atualmente com 98 anos, fez os comentários numa conferência do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, segundo revelou o jornal britânico ‘Daily Telegraph’.

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O ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, foi o arquiteto da relação americana com a China sob o Governo Nixon e um dos principais defensores da realpolitik, no qual as nações colocam a moral e os princípios de lado para alcançar os seus objetivos.

“As negociações precisam começar nos próximos dois meses antes que criem reviravoltas e tensões que não serão facilmente superadas. Idealmente, a linha divisória deveria ser um retorno ao ‘status quo ante'”, disse Kissinger. “Prosseguir a guerra além desse ponto não seria sobre a liberdade da Ucrânia, mas uma nova guerra contra a própria Rússia.”

Status quo ante significa “como as coisas eram antes”: os comentários de Kissinger implicam que a Ucrânia deve aceitar um acordo de paz para restaurar a situação vivida a 24 de fevereiro, no qual a Rússia controlava formalmente a península da Crimeia e controlava informalmente parte da região de Donetsk, no leste da Ucrânia. As autoridades ucranianas têm-se oposto ferozmente à ideia de que deveriam desistir de qualquer território.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, garantiu que a Ucrânia só aceitaria se a Rússia desistisse de todas as reivindicações e cumprissem uma retirada total.

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Kissinger lembrou ainda que a Rússia tem sido uma parte essencial da Europa por 400 anos, ajudando a equilibrar a estrutura de poder em momentos cruciais, argumentando que o Ocidente não deveria arriscar empurrar a Rússia para uma aliança mais estreita com a China. “Espero que os ucranianos correspondam ao heroísmo que demonstraram com sabedoria”, explicou, acrescentando que o lugar apropriado da Ucrânia era como um estado-tampão neutro, em vez de uma parte totalmente integrada da Europa.

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