Monkeypox pode tornar-se endémico na Europa se passar para animais de estimação, diz ECDC

Numa rápida avaliação de risco, o ECDC defendeu que hamsters ou outros ratos de estimação devem ser isolados.

Simone Silva

A varíola dos macacos (Monkeypox) pode espalhar-se para animais de estimação e animais selvagens e tornar-se endémico na Europa, alertaram na segunda-feira autoridades de saúde do bloco.

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Numa rápida avaliação de risco, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) defendeu que hamsters ou outros ratos de estimação devem ser isolados em “instalações monitorizadas” se pertencerem a contactos próximos de pessoas infetadas.

O organismo disse que ratos e esquilos podem ser “hospedeiros adequados”, alertando que um “evento de transbordamento”, onde o vírus se espalha de pessoas para animais de estimação e animais selvagens, pode tornar a varíola dos macacos endémica na Europa.

“Atualmente, pouco se sabe sobre a adequação das espécies de animais peridomésticos europeus (mamíferos) para servir como hospedeiro para o vírus da varíola dos macacos”, lê-se.

Contudo, acrescenta, “ratos e particularmente espécies da família Sciuridae (esquilos) provavelmente são hospedeiros adequados, mais do que humanos  e a transmissão de humanos para animais (de estimação) é teoricamente possível”.

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“Tal evento de transbordamento poderia levar o vírus a estabelecer-se na vida selvagem europeia e a doença se tornar uma zoonose endémica”, sublinha, ressalvando, contudo, que a probabilidade de isso acontecer era “muito baixa”.

Andrea Ammon, diretora do ECDC, acrescentou: “A maioria dos casos atuais apresentou sintomas ligeiros da doença e, para a população em geral, a probabilidade de disseminação é muito baixa”.

David Heymann, especialista em saúde global da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse que a principal teoria que explica a propagação da doença é o comportamento sexual em duas festas na Bélgica e em Espanha.

“Sabemos que a varíola dos macacos pode espalhar-se quando há contato próximo com as lesões de alguém que está infetado, e parece que o contacto sexual agora amplificou essa transmissão”, referiu.

Os sintomas incluem febre, dor nas costas, nódulos inchados e exaustão. Uma erupção geralmente começa no rosto e bolhas podem aparecer.

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Recorde-se que a DGS revelou ontem que foram confirmados mais 14 casos de infeção humana por vírus Monkeypox em Portugal, havendo, até ao momento, 37 casos confirmados.

Em comunicado, o organismo informou que os casos foram reportados “nas regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve”, aguardando-se neste momento “os resultados relativamente a outras amostras”.

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