Governador do Banco de Portugal preocupado com aumento dos funcionários públicos

Mário Centeno garante que Portugal não pode deitar a perder a trajetório de sustentabildiade da dívida pública dos últimos anos

Executive Digest com Lusa

O governador do Banco de Portugal disse hoje que o país não pode deitar a perder a trajetória de sustentabilidade da dívida pública dos últimos anos e mostrou-se preocupado com a dinâmica de crescimento do emprego no setor público.

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“Há dinâmicas que preocupam, em particular a dinâmica do emprego. O ritmo de crescimento do emprego público duplicou no período pandémico face aos anos anteriores. Em média, de 2015 a 2020, tinha crescido 9.500 trabalhadores e este número passou para próximo de 19 mil nos anos da crise pandémica, ou seja, houve um aumento em termos médios anuais de 95% do crescimento do emprego público”, afirmou Centeno na intervenção na conferência da Ordem dos Economistas, que decorreu hoje em Lisboa.

Segundo o governador, há dinâmicas de crescimento do emprego público que se entendem pela crise pandémica, mas “há outras que, a manterem-se, terão consequências para a sustentabilidade das finanças públicas que devem fazer pensar”.

No final de março, havia 741.288 trabalhadores da administração pública, mais 2,2% do que no mesmo período de 2021, o valor mais elevado desde 2011, segundo dados divulgados este mês pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).

Ainda na intervenção na conferência da Ordem dos Economistas, o governador do Banco de Portugal (ex-ministro das Finanças dos Governos PS de António Costa) focou-se muito na dívida pública, afirmando que esta tem feito uma trajetória de sustentabilidade que “não se pode perder”.

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“Hoje somos vistos e avaliados ao nível do indicador do stress sistémico de forma distinta do conjunto da área do euro e de alguns países em particular. Essa é uma conquista que não podemos perder e que se traduz num conjunto de avaliações de sustentabilidade da nossa dívida que melhoraram de forma significativa nos últimos anos”, afirmou Centeno.

O responsável máximo do banco central disse que um dos indicadores da sustentabilidade da dívida pública é a maturidade e que a maturidade da dívida de médio e longo prazo emitida por Portugal tem aumentado “sistematicamente desde 2016”, o que é importante para responder a conjunturas de volatilidade.

“Essa é uma defesa face a flutuações de curto prazo que Portugal não pode perder oportunidade de conseguir. Em 2021, a dívida nova foi emitida com maturidade média de 15 anos, o valor mais alto da última década”, afirmou.

Mário Centeno disse ainda que “o regresso a excedentes primários deverá estar iminente” e considerou que essa é uma “condição ‘sine qua non’ para sustentar uma dinâmica da dívida pública em percentagem do PIB sustentável ao longo do tempo”.

O economista afirmou que o ‘spread’ da dívida pública portuguesa a 10 anos face à da Alemanha tem estado estável desde 2019 (com exceção do início da crise pandémica) e a “níveis muito inferiores face a quando se inicia o processo de redução da rácio da dívida, em 2016 e início de 2017”.

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“É uma trajetória muito positiva que não podemos deixar cair”, vincou.

Na mesma conferência hoje organizada pela Ordem dos Economistas, o ministro das Finanças, Fernando Medina, disse que é preciso acelerar a diminuição da dívida pública, pois só assim se defende a economia portuguesa, desde logo as famílias, e se assegura margem de manobra para o futuro.

Segundo o ministro das Finanças, “mesmo num ano em que as regras orçamentais se encontram suspensas”, o Governo está focado em reduzir a dívida pública e mesmo acelerar esse objetivo.

“Num contexto de subida das taxas juro a um ritmo e forma que não está nas nossas mãos decidir, a medida que melhor protege empresas e famílias é certamente cuidar dos ganhos que conseguimos obter relativamente aos juros que a República é obrigada a suportar, porque a partir daí, em cadeia, sistema financeiro, empresas e famílias estão sempre ligadas a esse indexante”, afirmou Fernando Medina.

A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, diminuiu para 127,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, menos 0,4 pontos percentuais face ao final do trimestre anterior, segundo dados avançados pelo Banco de Portugal este mês.

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Para este ano, segundo a proposta do Orçamento do Estado (OE2022), o défice orçamental deverá baixar para 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e a dívida pública para 120,7% do PIB.

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