Vladimir Putin está “num beco sem saída absoluto” na Ucrânia, incapaz de vencer ou perder a guerra, segundo revelou esta sexta-feira o chefe dos serviços de inteligência militar da Ucrânia. Para o major-general Kyrylo Budanov, a Rússia tem poder para continaur a lutar até ao final do ano mas que a campanha na Ucrânia já “foi uma derrota estratégica” para o Kremlin.
“Putin está num beco sem saída”, referiu Budanov ao ‘Wall Street Journal’. “Ele não pode parar a guerra e não pode vencê-la. Ele não pode vencer por razões objetivas. E para pará-la, deve reconhecer que a Rússia não é o tipo de estado forte e grande que ele queria retratar.”
Tal admissão de fracasso, segundo Budanov, representaria “um passo em direção à destruição do estado da Rússia de hoje”.
A Rússia não conseguiu ocupar um alvo significativo na Ucrânia nos quase três meses desde o início da guerra. A sua retirada de áreas ao redor de Kiev, no início de abril, quando o Kremlin ordenou o redirecionamento das tropas para a “libertação completa” do Donbass, foi o primeiro grande sinal de que a guerra não estava a ir de acordo com o plano original do Kremlin.
Mais de um mês depois, o Donbass ainda não está sob ocupação russa pois continuam os combates ferozes na região. As tropas russas obtiveram recentemente pequenos ganhos em Popasna, na região de Luhansk, e agora estão a intensificar a ofensiva na região ao redor de Severodonetsk, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra. Para o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a área transformou-se num “inferno”.
Na frente nordeste, na área ao redor da segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, as tropas russas teriam sido empurradas para trás pela contra-ofensiva ucraniana, com as forças armadas da Ucrânia a alegar ter alcançado a fronteira russa.
Na passada quinta-feira, a Rússia revelou que começou a usar uma nova geração de armas a laser na Ucrânia, o que poderia mudar o rumo da guerra, sugerindo que Moscovo ainda não empregou todos os seus recursos disponíveis. Budanov frisou que a Rússia está a usar absolutamente todos os tipos de armas em sua posse, de mísseis de cruzeiro lançados por submarinos a bombardeamentos estratégicos, e a Ucrânia deveria fazer o mesmo. Mas o chefe dos serviços de inteligência da Ucrânia reafirmou que, sem artilharia de maior calibre e sistemas de mísseis de médio e longo alcance, que o país não possui no momento, a Ucrânia não vai poder lançar uma contra-ofensiva em grande escala.














