O almirante Gouveia e Melo, atual chefe do Estado-Maior da Armada, comentou a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, considerando que foi o próprio Putin que levou os dois países à NATO.
Em entrevista ao ‘Diário de Notícias’ (DN), o responsável disse que “o dirigente russo dirá o que achar que tem de dizer, fruto da sua perceção política e das relações internacionais”.
“A mim parece-me que foi uma evidência, dois países que eram neutros sentiram que o mundo na região Europa era demasiado perigoso para manter a neutralidade, quando essa neutralidade está na fronteira”, afirmou.
Segundo o almirante, “é fácil ser neutro quando estou no centro da NATO, quando estou rodeado de países da NATO é muito fácil ser neutro. Olhando para a geografia, para o terror que esta invasão criou, para a desestruturação de relações internacionais, e para a incerteza que traz às populações, o desfecho é o mais natural. Posso dizer que na minha muito modesta opinião, quem levou a Finlândia e a Suécia para a NATO foi o senhor Putin”, afirmou.
Questionado sobre se a adesão dos dois evidencia um maior perigo, Gouveia e Melo considera que não. Não, não se vai evidenciar, pelo contrário. Países que têm grandes ligações ao mar estarão sempre mais próximos de uma defesa atlântica do que de uma defesa centrada no continente”.
Sobre a pandemia, o responsável referiu que “aprendemos muita coisa com o passado, mas há coisas que são difíceis de evitar. A pandemia, que agora é endemia, vai ter flutuações, é como uma onda, e cada vez que vem uma onda, vamos passar por momentos difíceis”.
“Nunca mais vamos voltar ao sossego anterior à pandemia, as pessoas têm de perceber isso. Temos de saber lutar e viver com estes surtos em que temos de reforçar instantaneamente as nossas capacidades e depois desmobilizar as capacidades, isso vai fazer parte do nosso quotidiano a partir de agora”, concluiu.













