A advogada do ex-banqueiro, João Rendeiro, nunca chegou a avançar com qualquer recurso para tirar o seu cliente da prisão, na África do Sul, nem com a queixa na ONU sobre as condições na prisão de Westville.
Tudo isto foi admitido por June Marks, em declarações ao ‘Público’, quando foi confrontada com o facto de não haver ainda notícias do resultado dois recursos, que supostamente teriam sido interpostos.
Em causa para esta situação está a decisão da advogada de “mudar de estratégia”, concentrando os esforços de defesa na apresentação de um novo pedido de liberdade, mediante o pagamento de uma nova caução, disse ao jornal.
Ainda assim, June Marks não revelou a razão da mudança de estratégia, sublinhando que é confidencial e que não a pode revelar porque recebeu instruções do seu cliente nesse sentido. “Os jornalistas não têm de ser informados quando a estratégia muda”, referiu.
Sobre o pedido para tirar Rendeiro da prisão preventiva, a advogada disse que iria ainda pedir a liberdade mediante condições e não uma caução pecuniária, mas ainda não tinha decidido em que data iria submeter esse requerimento.
No que diz respeito à queixa na ONU, June Marks revelou que a remeteu para o endereço de e-mail de uma pessoa da organização, mas não avançou com a mesma porque “as condições de João Rendeiro na prisão melhoraram bastante”.
Recorde-se que João Rendeiro, de 69 anos, foi encontrado enforcado na quinta-feira na prisão de Westville, segundo uma nota do Departamento de Serviços Penitenciários, que excluiu o envolvimento de terceiros.
A advogada June Marks disse que se tratou de suicídio, no entanto, circunstâncias da morte ainda estão sob investigação das autoridades locais.
O antigo presidente do BPP estava detido na África do Sul desde 11 de dezembro de 2021, após três meses de fuga à justiça portuguesa para não cumprir pena em Portugal.
João Rendeiro foi condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, tendo o tribunal dado como provado que retirou do banco 13,61 milhões de euros.
O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.













