Está a chegar mais uma temporada de furacões no Atlântico e há más notícias. Cientistas alertam para tempestades tropicais ao nível do furacão ‘Katrina’

A temporada de furacões no Atlântico começa a 1 de junho.

Francisco Laranjeira

A temporada de furacões no Atlântico começa a 1 de junho mas o Golfo do México já está mais quente do que a média. Ainda mais preocupante é uma corrente de água tropical quente que se está a aproximar de forma surpreendente do Golfo nesta época do ano, com o poder de transformar tempestades tropicais em furacões monstruosos. É chamado de ‘Loop Current’ – quando este chega a norte demasiado cedo durante a temporada de furacões, pode significar um desastre para as pessoas ao longo da costa norte do Golfo, segundo revelou o site ‘The Conversation’.

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Quando uma tempestade tropical passa sobre a ‘Loop Current’ ou um dos seus redemoinhos gigantes – grandes piscinas giratórias de água quente que giram a partir da corrente – a tempestade pode explodir em força à medida que extrai energia da água quente. Este ano, o ‘Loop Current’ parece notavelmente semelhante ao de 2005, ano em que o furacão ‘Katrina’ cruzou as águas quentes antes de devastar Nova Orleães. Das 27 tempestades nomeadas naquele ano, sete tornaram-se grandes furacões. ‘Wilma’ e ‘Rita’ também cruzaram a ‘Loop Current’ naquele ano e tornaram-se em dois dos mais intensos furacões do Atlântico alguma vez registados.

Segundo o investigador Nick Shay, da Universidade de Miami, as condições vistas no Golfo em maio de 2022 são motivo de preocupação. Uma previsão aponta até 19 tempestades tropicais, 32% a mais do que a média, e 9 furacões. A ‘Loop Current’ tem o potencial de sobrecarregar algumas dessas tempestades.

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Mas a água quente do oceano não significa necessariamente mais tempestades tropicais. Mas quando uma tempestade tropical atinge águas em torno dos 26 graus Celsius ou mais quentes, aí podem fortalecer-se em furacões. Os furacões extraem a maior parte de sua força dos 30 metros mais altos do oceano. Normalmente, essas águas oceânicas superiores misturam-se, permitindo que os pontos quentes arrefeçam rapidamente. Mas a água subtropical da ‘Loop Current’ é mais profunda e quente, e também mais salgada, do que a água comum do Golfo, efeitos que inibem a mistura oceânica e o arrefecimento da superfície do mar, permitindo que a corrente quente e os seus redemoinhos retenham o calor em grandes profundidades.

Em meados de maio de 2022, dados de satélite mostraram que a ‘Loop Current’ tinha temperaturas de água a 26 graus Celsius até cerca de 100 metros de profundidade. No verão, esse calor pode estender-se até cerca dos 150 metros. O redemoinho que abasteceu o furacão ‘Ida’, em 2021, tinha mais de 30 graus celsius na superfície e mantinha calor a cerca de 180 metros. Com condições atmosféricas favoráveis, esse reservatório profundo de calor ajudou a tempestade a explodir quase da noite para o dia num furacão de categoria 4 muito poderoso.

É muito cedo para dizer o que vai acontecer com os ventos de direção que guiam as tempestades tropicais e afetam para onde elas vão. Mesmo antes disso, as condições sobre África Ocidental são cruciais para a formação de tempestades tropicais no Atlântico. A poeira do Saara e a baixa humidade podem reduzir a probabilidade de formação de tempestades.

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