O debate tem florescido no seio da NATO sobre a possibilidade de a Rússia realmente perder território russo depois da invasão à Ucrânia – isto porque as tropas ucranianas podem aproveitar o impulso da sua luta para recuperar a Crimeia e a região do Donbass. Após a retirada das tropas de Putin da região de Kiev para se concentrar no Donbass, no leste da Ucrânia, a convicção da NATO é que haja uma “paralisação por um tempo”, segundo revelou um funcionário da aliança, não identificado, à ‘CNN’ e citado pelos media ucranianos. “Acho que a Ucrânia poderia retomar a Crimeia e Donbass, sim. Não agora, não em breve, mas se puderem manter a luta, acho que sim”, apontou.
As conversas sobre o futuro da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014, tornaram-se mais intensas em Kiev desde a última 2ª feira, baseadas na declaração do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que garantiu que Moscovo “não tem disputas territoriais” com a Finlândia ou a Suécia, que preparam a adesão à NATO. No entanto, Peskov frisou que a adesão da Ucrânia à aliança atlântica significaria que a Rússia teria uma “disputa territorial” com um membro da NATO.
Oleksiy Arestovych, conselheiro do presidente ucraniano Volodymr Zelensky, apontou que esta foi uma mudança significativa na linguagem, com a agência de notícias local ‘Unian’ a relatar que sugeria que a Rússia está “a preparar moralmente a população” para uma possível “rendição da península”. Isto porque, segundo Arestovych, anteriormente a Crimeia não era considerada uma “disputa territorial” para Moscovo e que o seu estatuto era como parte da Rússia, apesar da contestação da comunidade mundial a um suposto referendo.
Para o conselheiro, Peskov “falou de forma errada” ou está “a mudar o vocabulário político”, o que significa “mudar de posição política”, o que significa “um futuro acordo de paz no qual a Crimeia será uma ‘disputa territorial'”.
No entanto, a embaixadora dos EUA na Ucrânia, Kristina Kvien, também fez uma avaliação otimista das chances da Ucrânia poder reconquistar território. Em declarações ao ‘Ukrainskaya Pravda’, como as forças de Kiev expulsaram as tropas russas da capital e de Kharkiv, “a suposição de que expulsará os russos de outras regiões ocupadas não é desprovida de lógica”.
“Estamos agora num momento crítico em que os ucranianos terão de decidir se levam a Crimeia de volta ao campo de batalha ou se se contentam com a vitória contra a Rússia que têm atualmente”, referiu Mai’a Cross, professora de política da Northeastern University, em Boston. “Não acho que a Rússia desistirá de bom grado da Crimeia porque isso representaria um golpe sério e seria muito difícil para Putin explicar internamente”, referiu à revista ‘Newsweek’. “Há uma série de opiniões a surgir entre as potências ocidentais sobre como isso deve terminar mas os ucranianos terão o poder de decidir. Acho que eles devem agir rapidamente e evitar que a guerra se prolongue.”












