Regenerar partes do corpo? Salamandra pode conter o segredo desse superpoder de ficção científica para os humanos, apontam cientistas

Investigadores da Universidade de Kentucky têm estudado genoma do axolote, que é capaz de regenerar diversos órgãos, e esperam transportar essa capacidade para o ser humano

Francisco Laranjeira

Mãos biónicas deixaram de ser ‘exclusivas’ de filmes de ficção científica. Com a tecnologia de impressão 3D, as pessoas agora podem imprimir uma mão de plástico. Mas, e se pudéssemos ensinar os nossos corpos a regenerar? Esta é a proposta de investigadores biológicos da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, que pretendem tornar essa fantasia em algo mais plausível depois de terem reunido o genoma completo do axolote, uma salamandra única nativa de um lago perto da Cidade do México.

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“Os axolotes são há muito valorizados como modelos de regeneração”, explicou Randal Voss, professor do Centro de Pesquisa de Medula Espinhal e Lesões Cerebrais da universidade e coinvestigador principal do projeto. “É difícil encontrar uma parte do corpo que não possam regenerar: os membros, a cauda, ​​a medula espinhal, o olho e, em algumas espécies, o cristalino, até metade do cérebro se regenera.”

E como estes animais se relacionam com os humanos? Apesar do seu tamanho diminuto e aparente simplicidade, os axolotes partilham muitos dos genes dos humanos – no entanto, o axolote tem um conjunto completo de cromossomas – um genoma – que é dez vezes o tamanho de um humano. O tamanho do genoma do axolote torna a análise genética extremamente difícil. Jeramiah Smith, professor associado do Departamento de Biologia da universidade e investigador coprincipal, descreveu os dados genéticos como uma “pilha de peças de quebra-cabeça”, garantindo que colocar o genoma na ordem certa é a pista para avançar na análise da estrutura e função do genoma e descobrir “os mecanismos que conferem ao axolote os seus poderes mágicos”.

Smith e Voss foram criativos com o mapeamento de ligação genética ao criar um sistema que permitiu colocar o genoma do axolote na ordem correta de forma rápida e eficiente – este foi o primeiro genoma desta dimensão a ser montado corretamente. Agora podem começar a estudar quais os genes que são ativados e desativados no processo de regeneração, o que pode levar a enorme implicações para os seres humanos. Os cientistas dizem que essa habilidade tem o potencial de fornecer novos modelos para doenças humanas. “A pesquisa biomédica está a tornar-se cada vez mais uma empresa geneticamente orientada”, observou Voss. “Para entender a doença humana, é preciso estudar as funções dos genes em outros organismos como o axolote.”

“Agora que temos acesso à informação genómica”, referiu Voss, “podemos realmente começar a investigar as funções do gene e aprender como eles são capazes de regenerar partes do corpo. Espero que algum dia possamos traduzir essa informação para a terapia humana, com aplicações potenciais para lesão na medula espinhal, acidente vascular cerebral, reparo de articulações… o céu é o limite, realmente.”

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