O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, voltou a insistir esta quarta-feira que não houve avanço nas negociações de paz com a Ucrânia, e que Kiev estava a mostrar total relutância em retomá-las.
“As negociações não estão a progredir e notamos a total indisponibilidade dos negociadores ucranianos para continuar esse processo”, disse Peskov, em declarações citadas pela ‘Reuters’.
Isto acontece depois de o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrey Rudenko, ter dito que a Rússia e a Ucrânia não estavam a manter negociações “de forma alguma” e que Kiev “praticamente se retirou do processo”.
“Não, as negociações não estão a correr de forma alguma. A Ucrânia praticamente retirou-se do processo de negociação”, afirmou o responsável, citado pela agência de notícias russa.
Horas depois, também no dia de ontem, o principal conselheiro do presidente ucraniano, Mykhailo Podolyak, revelou que as negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia foram suspensas.
O conselheiro de Zelensky responsabilizou a “mentalidade estereotipada” da Rússia pela suspensão das negociações de paz e disse que desde que as duas delegações se reuniram em Istambul no final de março, não houve “mudanças significativas, nenhum progresso”.
A guerra na Ucrânia causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,2 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, devido à invasão que aconteceu a 22 de fevereiro deste ano.
A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.
A ONU indicou na segunda-feira que 3.668 civis morreram e 3.896 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.














