Ansiedade, agressividade ou depressão: muito tempo ao ecrã pode aumentar risco de problemas comportamentais em crianças, aponta estudo

As crianças estão cada vez mais propensas aos dispositivos eletrónicos em vez de ler, brincar ou interagir com a família e os amigos

Francisco Laranjeira

Muito tempo diante de um ecrã aumenta o risco de problemas comportamentais em crianças, como TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), agressividade, ansiedade e depressão, segundo apontou um estudo publicado recentemente na revista científica ‘JAMA Psychiatry’.

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As crianças estão cada vez mais propensas aos dispositivos eletrónicos em vez de ler, brincar ou interagir com a família e os amigos e cientistas da Universidade de Calgary, no Canadá, garantem que essa escolha está a ter impacto no seu desenvolvimento social – o que tem conduzido a comportamentos ‘internalizantes’ ou ‘externalizantes’.

“A taxa crescente de tempo ao ecrã na primeira infância tem gerado preocupação entre médicos e pais sobre os seus possíveis efeitos na saúde mental das crianças”, escreveram os autores. “O estudo encontrou correlações pequenas, mas significativas, entre o tempo de ecrã e os problemas de comportamento ‘internalizantes’ e ‘externalizantes’ das crianças. A magnitude dessas correlações é comparável à encontrada em outras meta-análises sobre a associação entre o tempo de ecrã e as habilidades de linguagem da criança e o desempenho académico.”

Os cientistas reuniram dados de 87 estudos de todo o mundo, que envolveram 159.425 crianças menores de 12 anos. Problemas de externalização como TDAH e agressividade aumentaram 11% conforme subiu o tempo dispendido num ecrã. As taxas de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais relacionados – conhecidos coletivamente como condições internalizantes – aumentaram 7%. “Encontrámos correlações mais fortes entre o tempo ao ecrã e problemas de externalização em meninos em comparação com meninas”, pôde ler-se no artigo. A agressividade, por exemplo, pode ser mais facilmente modelada pelos meninos através de estereótipos sexuais.

“Além disso, descobrimos que estudos que medem a agressividade tiveram tamanhos de efeito maiores do que aqueles que medem sintomas de TDAH. As crianças podem ser expostas a conteúdo inapropriado, agressão e violência”, explicam os autores. “Consistente com a teoria da aprendizagem social, as crianças podem ficar dessensibilizadas após exposições repetidas a conteúdo agressivo ou violento em relação aos outros.”

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Os cientistas apontam que os pais devem monitorizar o tempo ao ecrã, assim como garantir que o conteúdo seja apropriado para a idade – devem igualemente limitar a exposição à violência, comunicar com os seus filhos sobre imagens inadequadas e modelar hábitos saudáveis com dispositivos eletrónicos.

“Os efeitos do ecrã na saúde mental das crianças têm sido rigorosamente debatidos. Alguma literatura sugere que esse tempo pode estar associado ao risco de maus resultados de saúde mental, substituindo o sono e as atividades físicas, bem como as trocas sociais e oportunidades de aprendizagem conhecidas por promover o bem-estar”, referiu o estudo. “Os ecrãs também podem impedir estratégias de autorregulação e aumentar os níveis de excitação devido a efeitos audiovisuais rápidos e intensos, que podem estar associados à desatenção e comportamento agressivo. No entanto, argumentou-se que a preocupação com o tempo ao ecrã e o seu efeito na saúde mental infantil não é empiricamente justificada devido a resultados conflitantes de pesquisa e deficiências metodológicas.”

“À medida que os ecrãs se normalizam na infância e na cultura contemporânea, os riscos associados ao seu uso podem tornar menos consequentes para os problemas de comportamento das crianças”, concluíram os autores. “Além disso, os pais hoje podem estar mais informados e melhores na monitorização do tempo e do conteúdo.”

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