Hepatite aguda de origem desconhecida: Doença infantil pode estar ligada à Covid-19, mostra estudo

A conclusão é de um estudo publicado na revista ‘The Lancet’. 

Simone Silva

Mais de 300 casos de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças de mais de 20 países podem estar associados ao superantígeno do Coronavírus. A conclusão é de um estudo publicado na revista ‘The Lancet’. 

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Pelo menos 348 casos de hepatite aguda grave de causa desconhecida foram relatados em vários países, incluindo Reino Unido, UE, EUA, Israel e Japão. A maioria das crianças desenvolve sintomas gastrointestinais, depois icterícia e, em alguns casos, insuficiência hepática aguda.

Os investigadores sugerem que os casos recentes de hepatite aguda em crianças foram provavelmente o resultado de uma infeção por coronavírus, seguida de uma infeção por adenovírus após o surgimento de um reservatório viral no trato intestinal.

Após a infeção pelo Coronavírus, o reservatório de vírus pode levar à ativação repetida de células imunes mediadas por superantígenos, como a Síndrome Inflamatória Multissistémica em Crianças (MIS-C).

Se tal reservatório estiver presente e a criança for posteriormente infetada com adenovírus (AdV), esse efeito mediado por superantígenos pode ser mais pronunciado e pode levar a anormalidades imunológicas, como a hepatite aguda grave recentemente relatada.

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Isabella Eckerle, co-diretora do Centro de Doenças Virais Emergentes dos Hospitais da Universidade de Genebra, disse que a possibilidade de desenvolvimento de hepatite aguda em crianças após a infeção por Covid-19 não pode ser descartada.

A persistência do Coronavírus no trato gastrointestinal de crianças resulta na libertação repetida de proteínas virais nas células epiteliais intestinais, levando à ativação imune, que foi identificada como o mecanismo capaz de causar MIS-C, de acordo com o resultados da pesquisa.

O MIS-C que está altamente relacionado com a infeção por Coronavírus, que tem despertado amplamente preocupações desde abril de 2020, pode causar inflamação em vários órgãos, incluindo coração, pulmões, rins, cérebro, pele, olhos, estômago e fígado, e pode até levar à falência de múltiplos órgãos em casos graves, o que pode causar a morte de crianças.

Os investigadores observaram que a monitorização contínua das fezes de crianças com hepatite aguda é recomendada à luz da situação atual. Se for encontrada evidência de ativação imune mediada por superantígenos de coronavírus, o tratamento imunomodulador deve ser considerado em crianças com hepatite aguda grave.

A juntar-se a estas conclusões estão dados do Escritório Regional da OMS para a Europa, que mostram que mais de 70% dos casos inexplicáveis ​​de hepatite aguda em crianças de 16 anos ou menos tinham sido infetados com o coronavírus.

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Entre os casos com evolução médica acompanhada, a percentagem de casos graves chegou a 15,4%. Dos casos com dados de vacinação para COVID-19, 83,9% não foram vacinados.

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