O hospital Garcia de Orta, em Almada, foi alvo de um ataque informático no final de abril, que, segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), “coloca em risco os cuidados de saúde aos utentes e a segurança dos médicos”. Uma resolução total só se prevê no Outono.
Em comunicado, o SMZS refere que há “uma série de atos que são realizados manualmente, potenciando o erro médico e limitando o acesso a informação imprescindível para o atendimento”.
A situação está a ser acompanhada “com preocupação” por parte do organismo, que “vai reunir com os médicos do hospital”, exigindo “uma resposta rápida e eficaz por parte do Conselho de Administração, dos SPMS e do Ministério da Saúde”.
Segundo a mesma nota, após o ataque informático os médicos deixaram de ter acesso ao sistema informático, “colocando em risco os cuidados de saúde aos utentes e a segurança dos profissionais de saúde”.
“A impossibilidade de acesso à internet impede a realização de diários clínicos, a parametrização de dados clínicos anteriores, da prescrição eletrónica de medicamentos, a obtenção de baixas médicas ou o pedido de exames de diagnóstico”, alertam.
O SMZS sublinha ainda que “os médicos não conseguem aceder ao processo dos utentes, o que potencia o erro médico. Além disso, a visualização de exames apenas é possível manualmente, sem acesso a uma adequada parametrização dos valores de referência e obrigando a deslocações dentro do hospital. Já houve situações em que a prescrição manual motivou erros”.
“Simultaneamente, o registo de primeiras consultas é efetuado manualmente, sem estar prevista ainda a passagem destes dados para o processo clínico digital dos utentes, e os relatórios são enviados através do telemóvel dos médicos, uma vez que nem todos os faxes se encontram operacionais”, denunciam.
O sindicato refere que “esta situação tem levado médicos, profissionais de saúde e utentes a um grande sentimento de preocupação, desalento e de insegurança, que se deve à falta de resposta do Conselho de Administração, que se escusa num plano de contingência que simplesmente não dá resposta”.
“A resolução desta situação deve ser uma prioridade absoluta, mas apenas está prevista a sua resolução parcial no verão e a resolução total no outono – daqui a, pelo menos, quatro meses”, lamentam.













