João Rendeiro: De “fazedor de dinheiro” à morte na prisão

A vida de Rendeiro tem os ingredientes necessários para um filme de cinema: queda e ascenção, escândalos financeiros e dinheiro.

Executive Digest

Filho de um casal proprietário de uma sapataria em Campo de Ourique fez a escola primária nos Salesianos e depois o liceu no Pedro Nunes e no D. João de Castro. Ao mesmo tempo, começou a praticar basquetebol na equipa de juvenis do Algés e Dafundo, onde se tornou capitão de equipa. João Rendeiro- que chegou a ser conhecido como o “The Make Money Man” (o fazedor de dinheiro) – arranjou o primeiro emprego quando andava no sétimo ano do liceu a fazer inquérito de rua para uma empresa de estudos de mercado. Terminado o liceu optou pelo curso de Economia. Entrou no ISEG e continuou a procurar emprego. Mais tarde, viria a trabalhar no sindicato dos metalúrgicos em ‘part time’.

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Terminou o curso em 1976, foi o melhor aluno e isso trouxe-lhe vantagens. Foi recrutado para o gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Indústria, iniciando assim o vínculo à função pública – e duplicou o salário. No ano seguinte, em 1977, viajou até Inglaterra para fazer o doutoramento com uma bolsa do British Council. Terminou a tese três anos e meio depois. Em 1984 começou a trabalhar na consultora norte-americana, McKinsey, que abriu um escritório na Rua do Alecrim, em Lisboa. Aí, Rendeiro fez trabalhos na área da banca, dos seguros e do petróleo. Também tinha a seu cargo a prospecção de novos clientes para a consultora.

Ao fim de um ano e meio, demitiu-se da McKinsey. Rendeiro queria ser empresário. Em 1986 fundou a DECA – Decisões Estratégicas Consultores Associados – com mais dois parceiros. Aproveitou a euforia do País ter entrado na CEE e o facto de os investidores estarem ávidos de novos produtos, decidiu lançar um fundo para o mercado de capitais. Em 1986, nasceu a Gestifundo e, no ano seguinte, lançou o primeiro fundo de investimento misto.

A Fundação do banco BPP seria um dos momentos mais marcantes da sua vida, em 1996. Só os mais abastados eram clientes (um milhão de euros chegou a ser o investimento mínimo para entrarem no banco). O estado de graça acabaria por desmoronar-se. O ex-banqueiro seria condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, em 2010, que lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.

João Rendeiro estava fugido à justiça portuguesa havia três meses, quando foi detido, ao início da manhã de 11 de dezembro, num hotel de cinco estrelas em Durban, na África do Sul. Apesar de ter dito várias vezes que a palavra desistir não fazia parte do seu dicionário, acabou por morrer na África do Sul, enquanto lutava para não ser extraditado para Portugal.

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