Foi hoje divulgada pela primeira vez, por cientistas da ‘National Science Foundation’ dos EUA, o buraco negro supermassivo no coração da nossa galáxia.
A mesma equipa internacional de cientistas que mostrou pela primeira vez em 2019 como era um desses monstros galácticos – aquele localizado no centro da galáxia Messier 87 (M87), a 55 milhões de anos-luz de distância – está a apresentar esta quinta-feira a imagem obtida do buraco negro da nossa Via Láctea, Sagitário A*, e com ela, a demonstrar a sua existência.
Pode acompanhar o momento em direto:
Havia uma grande expectativa sobre o anúncio deste novo marco científico, também feito em colaboração com o ‘Event Horizon Telescope’, que já tinha antecipado que seria “histórico” e “revolucionário”.
Já quando mostraram a primeira imagem de um buraco negro, em abril de 2019, os líderes da equipa explicaram que o próximo objetivo seria ‘retratar’ Sagitário A. Três anos depois e uma pandemia pelo meio, através do trabalho e viagens dos 300 investigadores do projeto, foi possível obter uma imagem semelhante.
Our own black hole! Astronomers have just revealed the 1st image of the supermassive black hole at the center of our Milky Way galaxy using the @ehtelescope– a planet-scale array of radio telescopes that emerged from decades of NSF support. https://t.co/bC1PZH4yD6 #ourblackhole pic.twitter.com/pd96CH3V0m
— U.S. National Science Foundation (@NSF) May 12, 2022
Sagitário A tem uma massa estimada de cerca de quatro milhões de sóis e está a 26.000 anos-luz de distância. O buraco negro da Via Láctea é “mais de mil vezes menos massivo” que o M87.
Os resultados estão a ser anunciados esta tarde com conferências de imprensa simultâneas em diferentes países.
Embora não seja possível ver o buraco negro em si, porque é completamente escuro, o gás brilhante ao seu redor tem uma assinatura reveladora: uma região central escura (chamada de “sombra”) cercada por uma estrutura brilhante em forma de anel. A nova visão captura a luz curvada pela poderosa gravidade do buraco negro, que é quatro milhões de vezes mais massivo que o nosso Sol.
“Ficámos surpreendidos com o quão bem o tamanho do anel estava de acordo com as previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein”, disse o cientista do projeto EHT Geoffrey Bower, do Instituto de Astronomia e Astrofísica, Academia Sinica, Taipei.
Como o buraco negro está a cerca de 27 mil anos-luz de distância da Terra, parece ter aproximadamente o mesmo tamanho no céu do que um donut na Lua. Para visualizá-lo, a equipa criou o poderoso EHT, que ligou oito observatórios de rádio existentes em todo o planeta para formar um único telescópio virtual do “tamanho da Terra” [1]. O EHT observou Sgr A* em várias noites, recolhendo dados durante muitas horas seguidas.
Os cientistas estão particularmente animados por finalmente terem imagens de dois buracos negros de tamanhos muito diferentes, o que oferece a oportunidade de entender como eles se comparam e contrastam.
Também começaram a usar os novos dados para testar teorias e modelos de como o gás se comporta em torno de buracos negros supermassivos. Este processo ainda não é totalmente compreendido, mas acredita-se que desempenhe um papel fundamental na formação e evolução das galáxias.
“Agora podemos estudar as diferenças entre esses dois buracos negros supermassivos para obter novas pistas valiosas sobre como esse importante processo funciona”, disse o cientista do EHT Keiichi Asada, do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sinica, Taipei.
O responsável acrescentou: “temos imagens de dois buracos negros – um na extremidade maior e outro na extremidade menor de buracos negros supermassivos no Universo – para que possamos ir muito mais longe em testar como a gravidade se comporta nesses ambientes extremos do que nunca”, concluiu.













