Zelensky em discurso direto: as melhores frases do presidente da Ucrânia pelo mundo fora

Presidente ucraniano tem sido convidado a discursar em diversos Parlamentos e as mensangens que deixa são fortes e empáticas

Francisco Laranjeira

Apelos, críticas, sensibilização, as palavras do presidente ucraniano têm sido poderosas no sentido de alertar o Ocidente para o perigo russo de Putin.

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No Parlamento português, o presidente ucraniano dirigiu-se aos deputados nacionais com palavras que descreveram o horror vivido em solo da Ucrânia. Vejamos:

“As fotografias não demonstram tudo o que os habitantes viveram. Os ocupantes mataram as pessoas só para se divertir e também assaltaram as suas habitações. As pessoas foram mortas, foram torturadas, foram violadas nos bunkers onde se escondiam. Eles mataram as pessoas e também dispararam sobre carros identificados como tendo crianças. Estamos a lutar contra as tropas russas não apenas pela nossa independência, mas pela nossa sobrevivência, pelas nossas pessoas, pelos ucranianos, para que não sejam mortos, torturados e violados, para que não sejam capturados pela Rússia.”

“Imaginem que toda a população de Portugal tinha de abandonar o país. A nossa população não são refugiados, eles foram obrigados temporariamente a sair e temos esperança que eles consigam voltar em segurança para a nossa Ucrânia. Esperamos que seja em breve, mas não podemos garantir quando.”

E depois, a apelo e o contacto com Portugal:

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“Porque é que a Rússia começou essa guerra? Este é o apenas o primeiro passo para conseguir controlar o leste da Europa, para destruir a democracia na Ucrânia. O vosso povo, que daqui a nada vai assinalar o aniversário da Revolução do Cravos que vos libertou da ditadura, sabe perfeitamente o que estamos a sentir. Vocês estão na parte mais oeste, nós estamos a leste. Contudo as nossas visões são iguais: sabemos que regras devem existir na Europa de uma ponta à outra, os direitos e os valores devem ser iguais sem qualquer ditadura para que toda a pessoa tenha tempo para a felicidade e para a saudade.”

Tem sido uma tónica comum nos discursos de Zelensky, um ponto de ligação ao país no qual é convidado a discursar, para dar uma ideia mais próxima da guerra. A 8 de março tornou-se o primeiro Chefe de Estado a dirigir-se ao Parlamento britânico e ficaram palavras fortes na memória.

“Não vamos desistir e não vamos perder. Vamos continuar a lutar até ao fim no mar, no ar. Vamos continuar a lutar pelo nosso país qualquer que seja o custo. Vamos lutar nas florestas, nos campos, na costa, nas ruas”, explicou Zelensky, ‘decalcando’ as palavras do antigo primeiro ministro britânico Winston Churchill num dos discurso mais emblemáticos que fez durante a II Guerra Mundial. De seguida, recitou Shakespeare. “Ser ou não ser? Durante 15 dias esta pergunta podia ter sido colocada, mas agora posso dar-vos uma resposta definitiva. Definitivamente sim, ‘ser'”, apontou.

“Uma guerra que não começámos, que não queríamos, mas em que temos de travar porque não queremos perder o que temos, o que é nosso, tal como vocês não quiseram perder o vosso país quando os nazis vos atacaram durante a II Guerra Mundial.”

De ovação em ovação, VOlodymyr Zelensky vai conquistando o respeito na arena política internacional pela férrea defesa da Ucrânia face ao invasor. Foi desta forma que se apresentou nos Estados Unidos, perante o Congresso.

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“Vivemos o pior conflito desde a II Guerra Mundial. Há oito anos que vivemos esta agressão. O destino do nosso país está a ser decidido agora. A Rússia encetou um ataque contra os nossos valores. Esses valores são os vossos, falo de democracia, liberdade e justiça.”

“Lembrem-se de Pearl Harbor, na terrível manhã de 7 de setembro de 1941, quando o vosso céu ficou negro por causa dos aviões que vos atacaram. Lembrem-se no 11 de Setembro, o terrível dia de 2001, quando o mal tentou transformar as cidades dos EUA em campos de batalha, quando pessoas inocentes foram atacadas pelo ar”, recordou.

“Eu tenho um sonho [I have a dream, no original]. Estas palavras são bem conhecidas por cada um de vocês. Hoje, posso dizer: eu tenho uma necessidade [I have a need]. Preciso de proteger o nosso céu. A Rússia transformou o céu ucraniano numa fonte de morte para milhares de pessoas”, disse, citando Martin Luther King.

Em França, a 23 de março último, novo discurso a apelar ao coração.

“Vocês sabem o que significa liberdade, igualdade e fraternidade. Desde que as tropas chegaram, fizeram ataques brutais, lançaram uma bomba numa maternidade, enquanto as mulheres se preparavam para dar à luz os seus filhos. Uma delas perdeu a vida e o seu bebé, ela pediu ao médico que a deixasse morrer, não via razão para viver”, contou.

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No Congresso dos EUA, o 11 de Setembro foi o ‘gancho’ para se ligar à audiência. No Parlamento do Japão, os bombardeamentos nucleares ocorridos na II Guerra Mundial estiveram presentes. Já na Alemanha, a queda do Muro de Berlim mereceu protagonismo. A cada intervenção da sua digressão virtual por parlamentos de todo o mundo, o presidente da Ucrânia tem feito questão de evocar traumas do passado para falar da presente guerra na Europa e mobilizar apoios para o futuro. Nem sempre correu bem: na Grécia, Zelensky meteu o pé pelas mãos ao partilhar um vídeo de um combatente de origem grega com ligações a um grupo paramilitar com ideologias de extrema-direita.

 

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