Covid-19: China arrisca 1,5 milhões de mortes se abandonar política ‘Covid zero’, indica estudo

Alerta seguiu vários relatórios publicados recentemente de conselheiros de saúde da China, que garantiram que a abordagem ‘Covid zero’ continua a ser essencial para derrotar a pandemia e ganhar tempo para medidas de mitigação

Francisco Laranjeira

A China corre o risco de ter pouco mais de 1,5 milhões de mortes pela Covid-19 se abandonar a sua política dura da ‘Covid zero’ sem qualquer salvaguardas, como aumentar a vacinação e o acesso a tratamentos, segundo um novo modelo de cientistas da China e dos Estados Unidos. O alerta seguiu vários relatórios publicados recentemente de conselheiros de saúde da China, que garantiram que a abordagem ‘Covid zero’ continua a ser essencial para derrotar a pandemia e ganhar tempo para medidas de mitigação.

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Sob a política ‘Covid zero’, as autoridades bloquearam grandes áreas populacionais para conter a propagação viral em resposta a qualquer surto de coronavírus, mesmo que apenas um pequeno número de pessoas estivesse positivo. Xangai, uma cidade de 25 milhões de pessoas, está fechada há quase seis semanas enquanto luta contra o maior surto de coronavírus da China até agora.

O estudo, publicado na revista ‘Nature Medicine’ sugeriu que, embora eliminar completamente a ‘Covid zero’ possa ser arriscado para a saúde pública, o impacto pode ser bastante mitigado se se concentrar em outras intervenções, como vacinar os idosos. “O nível de imunidade induzido pela campanha de vacinação de março de 2022 seria insuficiente para evitar uma onda Ómicron”, escreveram os autores, que previram que o pico de procura de cuidados intensivos seria mais de 15 vezes superior a capacidade atual, o que causaria cerca de 1,5 milhões de mortes.

No entanto, os investigadores apontaram que o número de mortos poderia ser muito reduzido se houvesse um foco na vacinação – apenas cerca de 50% dos maiores de 80 anos na China são vacinados -, além de fornecer antivirais, mantendo algumas restrições.

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