A Rússia comemora hoje o Dia da Vitória, que assinala a derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. Durante o desfile, Moscovo exibiu o seu míssil balístico intercontinental termonuclear de 50.000 quilos, numa clara ameaça ao Ocidente, segundo o ‘Express’.
Especialistas acreditam que o termonuclear RS-24 Yars, apelidado de “míssil monstro”, pode transportar até 10 ogivas (causando 10 explosões individuais) e possui um alcance de 12 mil quilómetros.
Para o Ocidente, o míssil, que pode cruzar a velocidades de até 24.500 quilómetros por hora, será uma demonstração de força e uma recordação do que Putin pode desencadear na Europa se as tensões atingirem o ponto de ebulição entre a Rússia e a NATO.
O RS-24 Yars é um míssil balístico intercontinental que pode ser lançado na estrada ou em silos nucleares. Esses mísseis podem ser lançados muito rapidamente, demorando apenas sete minutos para preparar o míssil para o lançamento.
O míssil também pode ser equipado com o veículo de reentrada planador hipersónico Avangard que o tornaria extremamente rápido e facilmente manobrável.
Esta arma mortal é uma versão atualizada do TOPOL-M e fica em um chassi de rodas 16×16 semelhante ao seu antecessor.
Ao exibir o seu míssil gigante, em conjunto com outras armas, tropas e veículos russos, o secretário de Defesa, Ben Wallace, disse que o objetivo do líder russo é intimidar o mundo.
“Na verdade, o que o presidente Putin quer é que o povo russo e o mundo fiquem impressionados e intimidados pelo memorial em desenvolvimento ao militarismo”, afirmou, num discurso no Museu Nacional do Exército em Londres. “Acredito que o conflito contínuo na Ucrânia não faz nada mais, para além de desonrar esses mesmos soldados”, acrescentou.
“A decisão da Rússia foi a mais correta”
O presidente russo, Vladimir Putin, já discursou na Praça Vermelha, no âmbito das celebrações do Dia da Vitória. Nas palavras que proferiu não mostrou qualquer arrependimento pela invasão da Ucrânia, pelo contrário, sublinhou que essa decisão “foi a mais correta”, uma vez que Kiev representava uma “ameaça militar”.
“Estamos a combater no Donbass para defender o nosso país”, começou por referir Putin, adiantando que “temos de fazer de tudo para que a guerra não volte”.
Segundo o líder russo, a operação militar que levou a cabo justifica-se com o facto de a Ucrânia representar uma “ameaça nuclear” para a Rússia, que não deixou alternativa. “Nós vimos o que estava a acontecer, a Ucrânia estava a possuir armas. Esta foi a decisão mais correta”, assegurou.
O Presidente russo disse que o Ocidente estava a preparar-se para invadir “o nosso país” e que “não queria ouvir a Rússia. Tinham outros planos”, afirmou, mencionando “uma operação punitiva no Donbass”.
“Em Kiev estavam a dizer que poderiam obter armas nucleares e a NATO começou a expandir-se para perto de nós e tornou-se uma ameaça óbvia para o nosso país e as nossas fronteiras. Tudo nos estava a indicar que havia uma necessidade de lutar”, reiterou.
Zelensky chama “louco” a Putin
O chefe de Estado ucraniano, Vlodymyr Zelensky, disse hoje que “em breve haverá ‘Dias da Vitória’ na Ucrânia”, referindo-se à derrota da Alemanha nazi em 1945, e chamou “louco” ao presidente russo Vladimir Putin.
“Só um louco pode repetir o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial e todos os que repitam os crimes que ocorreram na época está a imitar a filosofia nazi”, disse Zelensky, referindo-se a Putin, num discurso publicado hoje no portal oficial a propósito do dia em que se assinalam os 77 anos do “Dia da Vitória contra a Alemanha Nazi”
Na Ucrânia “estamos a lutar por uma nova vitória”, no sentido de parar a invasão que a Rússia lançou contra o país no passado dia 24 de fevereiro, afirmou Zelensky.
O chefe de Estado ucraniano reconhece que o “caminho está a ser difícil”, mas mostrou-se confiante no “triunfo”.













