O diretor da CIA advertiu o governo de Jair Bolsonaro para não colocar em causa o sistema de voto eletrónico durante uma visita feita ao país no ano passado, revelaram fontes citadas pela Reuters. Os comentários de William Burns aconteceram durante um encontro à porta fechada em julho do ano passado, adiantaram duas pessoas que tiveram conhecimento das afirmações de Burns.
Burns viajou para Brasília no verão passado, já com Joe Biden no poder nos Estados Unidos e seis meses depois do ataque ao Capitólio. Bolsonaro nunca escondeu a simpatia por Donald Trump e também deu eco às alegações nunca comprovadas de fraude nas eleições dos Estados Unidos em 2020.
Com as eleições de outubro no Brasil no horizonte, Bolsonaro tem colocado em causa o sistema de voto eletrónico desde o ano passado, sugerindo que é vulnerável a uma potencial fraude, embora também nunca tenha apresentado provas disso.
Burns encontrou-se com o presidente brasileiro, mas a sua advertência foi feita num jantar com o então chefe de gabinete de Bolsonaro, Luiz Eduardo Ramos, e com Augusto Heleno, o conselheiro de segurança nacional do líder brasileiro.
Nesse jantar, Ramos e Heleno tentaram minimizar as repetidas alegações de fraude eleitoral de Bolsonaro. Em resposta, o diretor da CIA disse-lhes que o processo democrático era sagrado e que Bolsonaro não devia falar assim.
“Burns estava a deixar claro que as eleições não eram algo com que devessem interferir. Não foi um sermão, foi uma conversa”, contou um das fontes citadas pela Reuters.
Após ter sido revelado o teor da conversa entre Burns e membros do governo de Bolsonaro, tanto o presidente como Augusto Heleno negaram que esta conversa tenha ocorrido.














