Cientistas encontram montanhas de açúcar escondidas no fundo dos oceanos

Açúcar chega na forma de sacarose (o principal ingrediente do açúcar usado na cozinha) e é libertado pelas ervas marinhas no solo, uma área diretamente afetada pelas raízes, conhecida como rizosfera – segundo os cientistas, significa que as concentrações de açúcar no fundo do mar são cerca de 80 vezes maiores do que seriam normalmente

Francisco Laranjeira

Há vastas reservas de açúcar ‘escondidas’ onde menos se espera: escondido sob as ondas e marés, os cientistas detetaram nos oceanos, algo que nunca tinha acontecido, sobretudo nos prados de ervas marinhas no fundo dos oceanos, grandes quantidades doces sob as folhas ondulantes, o que traz enormes implicações não só no armazenamento de carbono mas também nas mudanças climáticas.

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O açúcar chega na forma de sacarose (o principal ingrediente do açúcar usado na cozinha) e é libertado pelas ervas marinhas no solo, uma área diretamente afetada pelas raízes, conhecida como rizosfera – segundo os cientistas, significa que as concentrações de açúcar no fundo do mar são cerca de 80 vezes maiores do que seriam normalmente.

Em todo o mundo, as ervas marinhas podem conter até 1,3 milhões de toneladas de sacarose, segundo um estudo recente, publicado na revista ‘Nature Ecology & Evolution’ – ou seja, o suficiente para 32 mil milhões de latas de Coca-Cola.

“As ervas marinhas produzem açúcar durante a fotossíntese”, explicou a microbiologista marinha Nicole Dubilier, do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, na Alemanha. “Em condições de luz média, essas plantas usam a maior parte dos açúcares que produzem para o seu próprio metabolismo e crescimento. Mas sob condições de muita luz, por exemplo, ao meio-dia ou durante o verão, as plantas produzem mais açúcar do que podem usar ou armazenar. Libertam o excesso de sacarose para a sua rizosfera.”

O surpreendente é que esse excesso de açúcar não é engolido por microorganismos no ambiente circundante. Para impedir isso, parece que as ervas marinhas enviam compostos fenólicos da mesma maneira que muitas outras plantas. Esses compostos químicos – encontrados no vinho tinto, café e frutas, bem como em muitos outros lugares da natureza – são antimicrobianos que inibem o metabolismo da maioria dos microrganismos, retardando-os.

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“Nas nossas experiências, adicionámos fenólicos isolados de ervas marinhas aos microrganismos na rizosfera de ervas marinhas”, diz a microbiologista marinha Maggie Sogin. “E, de facto, muito menos sacarose foi consumida em comparação com quando não havia fenólicos presentes.”

As ervas marinhas são alguns dos sumidouros mais importantes do planeta para o carbono azul (carbono capturado pelos ecossistemas oceânicos e costeiros do mundo): uma área de ervas marinhas é responsável pela captura de duas vezes mais carbono do que uma floresta do mesmo tamanho em terra – e 35 vezes mais rápido também.

Quando se trata de calcular a perda de captura de carbono dos prados de ervas marinhas – entre os habitats mais ameaçados do planeta devido à atividade humana e à diminuição da qualidade da água – os cientistas agora podem levar em consideração os depósitos de sacarose, bem como as próprias ervas marinhas. “Nós não sabemos tanto sobre ervas marinhas quanto sobre habitats terrestres”, frisou Sogin. “O nosso estudo contribui para a compreensão de um dos habitats costeiros mais críticos do nosso planeta e destaca a importância de preservar esses ecossistemas de carbono azul.”

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