Primeiro transplante de coração de porco para um humano pode ter falhado devido ao vírus do porco, diz médico responsável pela operação

David Bennett Sr., que tinha uma doença cardíaca em estágio terminal, recebeu o transplante interespécies a 7 de janeiro último no Centro Médico da Universidade de Maryland, em Baltimore – inicialmente parecia estar a responder bem antes de se deteriorar inesperadamente e acabar por morrer a 8 de março

Francisco Laranjeira

O homem de Maryland que morreu sem causa clara dois meses depois de receber o primeiro transplante de um coração de porco geneticamente modificado pode ter sido vítima de um vírus de porco ligado à falha do transplante, segundo revelou o médico do paciente ao ‘MIT Technology Review’. David Bennett Sr., que tinha uma doença cardíaca em estágio terminal, recebeu o transplante interespécies a 7 de janeiro último no Centro Médico da Universidade de Maryland, em Baltimore – inicialmente parecia estar a responder bem antes de se deteriorar inesperadamente e acabar por morrer a 8 de março.

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Bartley Griffith, cirurgião de transplante de Bennett, afirmou no entanto, durante uma iniciativa da Sociedade Americana de Transplantes que o coração estava infetado com citomegalovírus suíno, o que pode ter causado a morte de Bennett. O vírus, que pode causar sintomas respiratórios e complicações na gravidez entre os porcos, tem sido associado ao fracasso de transplantes de órgãos de porco para babuíno. “Se o vírus causou a morte de Bennett, isso representa um obstáculo que provavelmente pode ser superado em operações futuras”, apontou Griffith.

O porco foi criado pela empresa de biotecnologia Revivicor, que alterou o genoma do porco para reduzir o risco de o corpo de Bennett rejeitar o coração e evitar o crescimento excessivo de tecido após o transplante.

A possibilidade de um vírus suíno adaptar-se para infetar humanos depois de um transplante preocupou os investigadores, que esperam que os transplantes interespécies possam ajudar a resolver a terrível escassez de doadores de órgãos humanos. Devido ao risco de transmissão perigosa de doenças entre espécies, os recetores de transplantes de animais e os seus contactos pessoais – incluindo animais de estimação – devem ser verificados em intervalos regulares.

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