A hepatite de origem desconhecida é, como o próprio nome indica, para já um mistério para a comunidade médica. As informações até ao momento são escassas, mas há dois sintomas a que os pais devem estar atentos.
“É um processo muito completo quando aparece uma doença cujo agente nós não conhecemos. Nem sequer temos neste momento a certeza de ser uma doença transmissível, porque o padrão epidemiológico não é muito claro”, refere a virologista Laura Brum, em declarações à ‘SIC Notícias’.
Segundo a responsável, “tudo isto ainda é muito precoce e estamos na fase de juntar informação”, mas já é possível perceber alguns sintomas mais específicos da doença, a que os pais devem prestar especial atenção.
“Para além dos sintomas gastrointestinais, como diarreia e vómitos, esta hepatite caracteriza-se por icterícia, cor amarelada da pele e dos olhos, e pelas fezes poderem estar mais esbranquiçadas/descoloradas”, sublinha. “São dois sinais que é importante os pais estarem mais vigilantes nesta situação”, conclui.
A doença já causou cerca de 230 infeções a nível global, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em Portugal, ainda não há, para já, casos confirmados, mas há quatro suspeitos, segundo a Direção Geral da Saúde (DGS).
Os casos foram identificados nas regiões de saúde do Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo e todos testaram negativo para hepatite A, B e C e para o vírus SARS-CoV-2, aguardando-se ainda resultados para a hepatite E em duas situações. Já estão todos recuperados.
Rui Tato Marinho, coordenador do programa nacional para as hepatites virais da DGS, já tinha referido à Multinews que a doença resulta em “alterações muito grandes nas análises do fígado” e “muitas vezes começa com vómitos, febre, dores de barriga e em casos mais graves os olhos amarelos, a chamada icterícia”.
Segundo o especialista, “é uma hepatite em crianças muito pequenas, entre 2 e 4 anos”, nas quais “foi detetado um vírus conhecido por ‘adenovírus’, que também foi identificado na Covid, mas não quer dizer nada”, explicou no final do mês passado, adiantando que “não é nenhum dos vírus comuns, A, B,C,D,E”, que são identificados com maior frequência.
“Em cerca de 10% dos casos” é necessário um transplante. “Em 10 crianças há uma que agora precisa de um transplante, tendo já sido transplantadas cerca de 17, o que denota a gravidade do assunto”, referiu ainda.
O médico sublinhou que “no princípio é difícil dizer que é uma hepatite aguda, para se ter a certeza é necessário fazer análises ao fígado”, mas “eu não colocaria as pessoas em pânico”.
“Os pais, avós e cuidadores normalmente estão muito atentos às crianças e à mínima coisa são tratados. Os pais são bons pais. Por isso não vale a pena irem todos a correr às urgências para fazerem análises ao fígado”, alertou.
Rui Tato Marinho “preferia que (o surto) não existisse”, mas não considera provável que Portugal escape, uma vez que a doença já se espalhou por tantos países da Europa, inclusive no país vizinho. “Agora não há hipótese de fugir, se já está em Espanha não é nada impossível que venha para Portugal”, afirmou.
Ainda assim, o responsável mostra-se “confiante, porque Portugal tem um excelente sistema de saúde, entre o público e o privado, tem excelentes médicos que percebem muito disso”.
“Agora, claro que preferia que não acontecesse, mas se acontecer temos que resistir e eu acho que estamos preparados para isso. Estamos em contacto permanente com o estrangeiro, nomeadamente com a Europa e sabemos o que se está a passar”, rematou.













