A Rússia voltou a ameaçar a Finlândia e a Suécia sobre uma possível adesão dos dois países à NATO. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, disse que se aderirem à aliança, ambos vão tornar-se “um espaço de confronto com a Rússia”.
“Caso a Finlândia e a Suécia se juntem à aliança, vão transformar-se num espaço de confronto do bloco do Atlântico Norte com a Rússia com todas as consequências, inclusive para nossas relações de boa vizinhança testadas pelo tempo. É o que os povos da Suécia e Finlândia estão à procura?” questionou, em declarações citadas pela agência ‘Tass’.
Zakharova continuou: “Temos alertado nossos vizinhos do norte da Europa regularmente e há muito tempo que o facto de serem puxados para a órbita da NATO ameaça desequilibrar o sistema de segurança europeu. Este não é o ‘tema das últimas semanas”, acrescentou ainda a responsável.
De facto, assim que se soube que a Finlândia e a Suécia pretendiam aderir à NATO, as ameaças russas aos dois países não têm parado. O ex-presidente russo, Dmitry Medvedev, alertou que, se isso acontecer, a Rússia teria que reforçar as suas defesas na região do Mar Báltico, inclusive com armas nucleares.
Também a própria Zakharova já disse várias vezes que os países “sabiam de todas as consequências” e não poderiam surpreender-se caso o país decidisse avançar com medidas contra a Finlândia e a Suécia.
A Suécia e a Finlândia concordaram em apresentar pedidos simultâneos de adesão à aliança liderada pelos EUA na NATO e a Finlândia já disse que faria o anúncio oficial a 12 de maio.
Segundo o diário finlandês Iltalehti, Estocolmo “sugeriu que os dois países indicassem a sua vontade de aderir” no mesmo dia, e que Helsínquia concordou “desde que o governo sueco tenha tomado a sua decisão”.
Já o jornal sueco Expressen citou fontes do governo a confirmar estas informações e adiantou que os pedidos poderão ser apresentados na semana de 16 de maio, coincidindo com uma visita de Estado a Estocolmo do presidente finlandês Sauli Niinistö.
Os primeiros-ministros dos dois países disseram que estão a deliberar sobre a questão, argumentando que a invasão da Ucrânia pela Rússia mudou “todo o cenário de segurança” da Europa e “moldou dramaticamente a mentalidade” na região nórdica.
A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, disse que o seu país, que partilha uma fronteira de 1.300 quilómetros com a Rússia, decidiria se se candidataria à aliança “muito rapidamente, em semanas, não meses”, apesar do risco de enfurecer Moscovo.
A sua homóloga sueca, Magdalena Andersson, disse que o país precisa de estar “preparado para todos os tipos de ações da Rússia” e que “tudo mudou” quando Moscovo atacou a Ucrânia.













