“Trump deu-nos estes quatro anos. Muito obrigado”, diz analista na TV russa, que acusa Biden de querer destituir Putin

Cientista político Dmitry Kulikov garante que chegada ao poder do antigo presidente americano travou plano de uma década para afastar Putin do Kremlin

Francisco Laranjeira

Donald Trump recebeu, no passado domingo, um ‘agradecimento especial’ de um analista da televisão estatal da Rússia, que alegou que o antigo presidente americano derrubou um plano de mais de uma década apoiado por Joe Biden para expulsar Vladimir Putin do Kremlin. Para o cientista político Dmitry Kulikov, o atual ocupante da Casa Branca está a trabalhar para remover o presidente russo. “Tenho a certeza que a decisão de nos destruir foi tomada em 2012 pelo mesmo grupo ao qual pertence Biden”, explicou o analista, como pode ler-se num tweet partilhado pelo ‘The Daily Beast’.

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Donald Trump falou repetidamente de forma favorável de Putin durante o seu mandato como candidato presidencial do Partido Republicano em 2016 e mesmo como presidente. Já Joe Bidee, por outro lado, tem sido altamente crítico de Putin, tendo já o chamado de “assassino” e “criminoso de guerra”, tendo acusado a Rússia de cometer genocídio na Ucrânia e mostrou-se apoiante da remoção de Putin do poder, embora a Casa Branca tenha vindo esclarecer que não há esforço ou política dos EUA para destituir o presidente russo.

“Quando ele disse a Putin que não tinha o direito de concorrer à reeleição, e Putin rejeitou a sua exigência, a partir daquele momento tudo estava decidido. E teria funcionado se não fosse por Trump”, avaliou o analista russo. “Trump deu-nos estes quatro anos. Muito obrigado”, avançou.

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Segundo alguns candidatos da oposição política russa garantiram, em 2011 Biden ter-lhes-á dito, numa reunião, que seria melhor para o país se Putin não se tentasse tornar presidente novamente. “No final da reunião, Biden disse que se estivesse no lugar de Putin não iria concorrer à presidência em 2012 porque seria mau para o país e para ele mesmo”, garantiu o então líder da oposição, Boris Nemtsov. Também Leonid Gozman, que era o colíder do partido ‘Right Cause’, ligado ao Kremlin na época, confirmou as observações de Biden, frisando que o atual presidente americano teria confessado que “olhou nos olhos de Putin e não viu alma”.

Biden confirmou mais tarde que disse a Putin em 2011. “Eu disse: ‘Sr. primeiro-ministro, estou a olhar nos seus olhos e acho que não tem alma”, explicou, em declarações à revista ‘New Yorker’, em 2014. “Ele olhou para mim, sorriu e disse: ‘Nós nos entendemos’.”

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