Extinção do SEF: Serviço já perdeu mais de 300 funcionários. Segurança nacional está “cada vez mais em risco”, alerta ex-inspetor

Muitos saíram do serviço e rumam agora a outras equipas, como a Frontex, agência que fiscaliza as fronteiras da União Europeia (UE), mas sentem-se injustiçados e revoltados com a extinção do SEF.

Revista de Imprensa

Desde que foi anunciada a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), este já perdeu 333 funcionários, 97 dos quais eram inspetores, 106 pertenciam à carreira geral e outros 130 passaram à disponibilidade, avança a ‘TSF’, citando dados do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF.

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Segundo a estação, muitos saíram do serviço e rumam agora a outras equipas, como a Frontex, agência que fiscaliza as fronteiras da União Europeia (UE), mas sentem-se injustiçados e revoltados com a extinção do SEF, numa altura em que a segurança nacional está “cada vez mais em risco”.

É o caso de Rui (nome fictício), que já a partir deste mês de Maio, vai integrar o corpo permanente (Standing Corps) da Frontex, depois de ter sido inspetor do SEF durante quase 20 anos.

O responsável diz sentir-se “injustiçado”, uma vez que investiu na carreira ao longo do tempo, completando um mestrado e várias pós-graduações na área das migrações e criminalidade. “Foi uma inutilidade, deixamos de ser importantes e não serviu para nada. É um desprestígio enorme e nunca pensei que acontecesse”, sublinha à ‘TSF’.

Rui diz que se sentiu obrigado a emigrar, deixando para trás a família. “A minha mulher deixou-me. Separou-se de mim, porque dizia que eu estava insuportável”, refere falando num “trauma enorme não só nos inspetores, mas nas famílias” e nos locais de trabalho. “A situação é de tal forma insustentável, que está a provocar conflitos”, afirma.

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A extinção do SEF, recorde-se, era para acontecer a 20 de maio, mas foi adiada por tempo indeterminado. Para o ex-inspetor, o adiamento é “pior a emenda do que o soneto”.

Irá criar “mais problemas de saúde, mais problemas no local de trabalho, mais instabilidade e ansiedade, vamos sentir-nos usados, mais uma vez”, o que terá efeitos na segurança nacional, que “já está em perda há dois anos e cada vez vai entrar mais (em risco)”, conclui.

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