É mais provável que Putin avance com uma guerra nuclear do que aceite derrota uma na Ucrânia, diz editora da TV estatal russa

Margarita Simonyan, editora da RT e uma das responsáveis de imprensa mais importantes do Kremlin, adiantou que Putin desencadear um ataque nuclear é “mais provável” do que falhar na sua chamada operação militar especial na Ucrânia.

Simone Silva

É mais provável que Vladimir Putin procure iniciar uma guerra nuclear total em vez de admitir a derrota para a Ucrânia. Quem o disse foi uma importante editora da televisão estatal russa.

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Segundo o ‘Independent’, Margarita Simonyan, editora da RT e uma das responsáveis de imprensa mais importantes do Kremlin, adiantou que Putin desencadear um ataque nuclear é “mais provável” do que falhar na sua chamada operação militar especial na Ucrânia.

As observações somaram-se a um padrão de retórica crescente de ambos os lados, enquanto a Rússia continua a alertar o Ocidente sobre as consequências “rápidas como um relâmpago”, por interferir na sua invasão em desenvolvimento.

“Ou perdemos na Ucrânia ou começa a Terceira Guerra Mundial. Acho que a Terceira Guerra Mundial é mais realista, conhecendo a Rússia e o nosso líder”, sublinhou. “Parece-me mais provável que tudo isto acabe com um ataque nuclear, do que o outro curso de eventos”, acrescentou.

A responsável continuou: “Isto é para meu horror, por um lado, mas, por outro lado, é o que é. Nós iremos para o céu, enquanto eles simplesmente vão falhar. Todos nós vamos morrer algum dia.”

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A referência à guerra nuclear de Simonyan está em linha com comentários recentes do ministro dos Negócios Estrageiros da Rússia, Sergei Lavrov, que disse que a ameaça de um conflito nuclear não deve ser subestimada e que o núcleo de qualquer acordo para acabar com o conflito na Ucrânia dependeria em grande parte da situação militar no terreno.

“Esta é a posição chave na qual baseamos tudo. Os riscos agora são consideráveis”, disse Lavrov na TV estatal na terça-feira. “Eu não gostaria de elevar esses riscos artificialmente. Muitos gostariam disso. O perigo é sério, é real. E não devemos subestimá-lo”, afirmou,  referindo-se ao risco de uma guerra nuclear.

Putin, ao emitir um alerta às nações ocidentais sobre a interferência na guerra, referiu-se ao novo míssil balístico intercontinental da Rússia (ICBM). “Temos todas as ferramentas para isso – aquelas das quais ninguém se pode gabar. E não nos vamos gabar. Vamos usá-las se necessário. E quero que todos saibam disso”, referiu o líder russo.

Recorde-se que a Rússia anunciou na semana passada que vai lançar o Satan II, também conhecido como sistema de mísseis balísticos intercontinentais Sarmat até ao outono, com a ogiva capaz de atingir o Reino Unido, a Europa e os EUA juntos.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

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A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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