Câmara de Setúbal afasta técnica superior de acolhimento a refugiados e pede investigação ao MAI

Autarquia diz que já tinha pedido explicações “há duas semanas” ao primeiro-ministro e que “não obteve resposta até ao momento”.

Executive Digest com Lusa

Na sequência da polémica sobre o acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal, que estarão a ser recebidos por russos pró-Putin, como avançou o Expresso esta sexta-feira, a Câmara Municipal de Setúbal já reagiu através de um comunicado.

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A autarquia pede uma investigação ao Ministério da Administração Interna (MAI) e revela que decidiu afastar “do acolhimento de cidadãos ucranianos” uma técnica superior “até ao total e inequívoco esclarecimento desta situação”. A Câmara Municipal de Setúbal indicou ainda que já tinha pedido explicações “há duas semanas” ao primeiro-ministro António Costa e que “não obteve resposta até ao momento”.

No comunicado, a autarquia sublinha que desde o início da invasão russa da Ucrânia tem “um serviço de atendimento a refugiados ucranianos e tem prestado todo o apoio necessário ao acolhimento destas pessoas, em direta e permanente articulação com diferentes entidades, nomeadamente a Segurança Social, Alto Comissariado para as Migrações, Instituto de Emprego e Formação Profissional e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”.

A Câmara de Setúbal, liderada por André Martins, que foi eleito pela CDU, esclarece também que Igor Kashin, que é citado na notícia do Expresso, “colabora, regularmente, há vários anos, com várias entidades da administração central, entre as quais o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Alto Comissariado para as Migrações e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tendo prestado esta colaboração já este ano, em instalações de alguns destes serviços em Setúbal, no contexto do acolhimento de refugiados da guerra da Ucrânia”.

A autarquia setubalense refere que, depois de ter tomado conhecimento das afirmações proferidas, há duas semanas, pela embaixadora da Ucrânia em Portugal relativamente à associação que Kashin integra, “questionou formalmente e no próprio dia, por ofício, o senhor primeiro-ministro, pedindo que se pronunciasse sobre a veracidade destas declarações e esclarecesse com a maior brevidade possível se o Alto Comissariado para as Migrações mantinha a confiança nesta associação, não tendo obtido resposta até ao momento”.

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Num outro ponto do comunicado, a Câmara de Setúbal assinala que vai “solicitar ao Ministério da Administração Interna que adote, de imediato, os necessários procedimentos no sentido de averiguar a veracidade das suspeitas veiculadas pelo jornal Expresso, manifestando total disponibilidade para prestar toda a informação necessária”.

A concluir o comunicado, a autarquia repudia com “veemência toda e qualquer insinuação de quebra de sigilo no tratamento de dados de cidadãos ucranianos acolhidos nos seus serviços”.

Após a notícia do Expresso desta sexta-feira, o Governo reagiu. A secretária de Estado da Igualdade e Migrações enviou hoje ao Alto Comissariado para as Migrações (ACM) um pedido de esclarecimento na sequência da notícia de que refugiados ucranianos estão a ser recebidos em Setúbal por russos pró-Putin.

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