Terceira Guerra Mundial: que países estariam nos dois lados de um possível conflito?

Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, lembrou que o conflito da Ucrânia pode ser o gatilho para uma III Guerra Mundial. “Um risco real” que não pode ser subestimado

Francisco Laranjeira

A guerra na Ucrânia tornou-se um dos conflitos armados mais delicados das últimas décadas. Diversos especialistas comparam a situação como algumas das crises históricas mais lembradas dos últimos tempos e com uma escalada potencial que pode levar a uma nova disputa internacional. Disso mesmo já alertou Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que lembrou que o conflito da Ucrânia pode ser o gatilho para uma III Guerra Mundial. “Um risco real” que não pode ser subestimado, segundo apontou o responsável político russo, que comparou a situação atual à Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962, destacando que “naquela época havia regras, regras escritas”, algo que hoje não existe. Referiu-se mesmo a um possível ataque nuclear se o conflito for prolongado.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Mais de dois meses após a invasão pelas tropas russas, o conflito parece mais quente do que nunca, segundo alertou o jornal espanhol ‘ABC’, o que poderia conduzir a um terceiro conflito a envolver diversos países do mundo. Qual seria o resultado e que países fariam parte de cada lado?

Nesta cruzada na Ucrânia, a Rússia conta com um aliado que mostrou o seu total apoio: a Bielorrússia. Nos meses anteriores ao conflito, soldados russos deslocaram-se para a fronteira ucraniana e o território liderado por Aleksandr Lukashenko e tem crescido a especulação de que os bielorrussos poderiam fazer avançar parte das suas forças armadas para lutar na guerra de Putin.

A China tem sido, nos últimos anos, outro dos principais aliados estratégicos do Governo do presidente russo. Embora sem dar o seu apoio público à guerra na Ucrânia, numa potencial III Guerra Mundial tudo parece indicar que iriam oferecer o seu apoio a Putin, como quase sempre fizeram. Ainda assim, o conflito não é do agrado do presidente chinês Xi Jinping e pode ter feito os chineses distanciarem-se do seu aliado devido a receios da retaliação imposta pela NATO.

Existem outros aliados da Rússia, tais como os países que fazem parte da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO): Rússia, Bielorrússia, Arménia, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão, que integram esta aliança militar criada após a queda da União Soviética.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Na Assembleia Geral da ONU, no qual foi aprovada a condenação da guerra na Ucrânia, apenas três outros países se juntaram à Rússia e Bielorrússia na rejeição do texto: Coreia do Norte, Síria e Eritreia. Entre os 35 países que se abstiveram estão algumas potências que são há anos aliadas da Rússia, tais como Cuba ou a Venezuela. O próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba denunciou o Governo dos Estados Unidos por “manipular a comunidade internacional sobre os perigos de uma iminente invasão maciça da Ucrânia”. “A determinação dos EUA de impor a expansão progressiva da NATO para as fronteiras da Federação Russa constitui uma ameaça à segurança nacional deste país e à paz regional e internacioal”, assegurou o país latino-americano.

Do outro lado do conflito, está obviamente a Ucrânia, que conta com aliados de peso: Estados Unidos, União Europeia, Grã-Bretanha e a NATO. A maior parte da comunidade internacional rejeitou publicamente a invasão russa e gradualmente reforçou as inúmeras sanções impostas ao país de Vladimir Putin – isso mesmo foi estabelecido numa resolução aprovada a 2 de março, na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde até 141 países reafirmaram o seu apoio à independência e soberania da Ucrânia. Mais, exigiram que a Rússia cessasse o conflito armado e retirasse as suas tropas.

Também a União Europeia procurou retaliar e mostrou o seu desagrado com a decisão de Putin: “Vamos enfraquecer a base económica da Rússia e a sua capacidade de modernização. Congelaremos os ativos russos na UE e impediremos o acesso dos bancos russos ao mercado financeiro europeu”, apontou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Neste conflito, há diversos países que não se quiseram posicionar. Por exemplo, os 35 territórios que se abstiveram na votação da ONU: Angola, Argélia, Arménia, Bangladesh, Bolívia, Burundi, China, Congo, Cuba, El Salvador, Guiné Equatorial, Índia, Irão, Iraque, Cazaquistão, Quirguistão, República Centro-Africana, Laos, Madagáscar, Mali, Mongólia, Moçambique, Namíbia, Nicarágua, Paquistão, Senegal, África do Sul, Sudão do Sul, Sri Lanka, Sudão, Tajiquistão, Tanzânia, Uganda, Vietname e Zimbabué. Além disso, outros doze países não compareceram à Assembleia extraordinária: Azerbaijão, Burkina Faso, Camarões, Guiné, Guiné-Bissau, Marrocos, Togo, Turcomenistão, Uzbequistão e Venezuela, embora alguns destes últimos já tenham demonstrado grande apoio ao Governo russo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.