“Conselho de Segurança falhou” com a Ucrânia, reconhece António Guterres, mas aponta que “trabalha com o objetivo de salvar civis”

Secretário-geral das Nações Unidas esteve reunido com Zelensky em Kiev esta quinta-feira

Francisco Laranjeira

António Guterres, lado a lado com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, garantiu que a sua viagem tem um objetivo muito claro: “Trabalho com o objetivo de salvar civis.”

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“Disse o mesmo em Moscovo do que disse em Kiev, a mesma coisa: sou coerente na defesa dos valores da Carta das Nações Unidas, que passa também pela defesa da integridade territorial da Ucrânia. A lei vai prevalecer”, explicou o secretário-geral das Nações Unidas, que afirmou que a Ucrânia “é o centro de uma situação de dor”, com perdas de vida desncessários. Se a guerra durar até ao final de 2022, garantiu Guterres, “pode haver até 25 milhões de refugiados”.

O secretário-geral da ONU apontou que o mundo está “a olhar e a ouvir a Ucrânia”, mas as palavras não são suficientes, admitindo que o “Conselho de Segurança falhou em fazer tudo o que estava ao seu alcance [na prevenção e no prolongamento desta guerra]. Esta é uma fonte de grande deceção, frustração e raiva. Mas os homens e mulheres das Nações Unidas estão a trabalhar e a cooperar com as corajosas organizações ucranianas”.

“Não vamos desistir e vamos continuar a trabalhar no sentido do cessar-fogo”, garantiu António Guterres, que reconheceu estar a ser “maçador” para os media por não querer desviar-se do seu objetivo. “O que quer que lhe diga?”, respondeu a um jornalista, na conferência de imprensa. “Algo que ponha em causa a realização dos corredores humanitários? A minha prioridade é acabar com sofrimento de quem está na fábrica” em Mariupol.

“No momento, só posso dizer que estamos a fazer tudo o que podemos para que isso aconteça. Não vou entrar em qualquer comentário que possa minar essa possibilidade.”

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“É absolutamente essencial que o TPI faça o seu trabalho no sentido de haver uma real responsabilização” pelos crimes cometidos na Ucrânia, disse o secretário-geral das Nações Unidas.

Sobre a reforma das Nações Unidas, Guterres mostrou vontade de mudança. “A ONU não é só a Assembleia Geral. Mas farei tudo para tornar a ONU o mais eficaz possível e compensar falhanços que não consigo resolver.”

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