Marcelo Rebelo de Sousa comentou a presença de António Guterres em Moscovo e Kiev, salientando a dificuldade da tarefa do secretário-geral das Nações Unidas no caminho pelo entendimento entre Putin e Zelensky.
“O próprio secretário-geral foi cuidadoso e baixou as expectativas, dizendo que era difícil convencer Putin, que não era uma pessoa fácil. Mas persistiu com a ideia de ser possível abrir pelo menos alguns corredores humanitários. Como sabem, é dramático em certas zonas da Ucrânia. Vamos ver como fica depois do encontro com o presidente Zelensky, se a ideia tem ou não pernas para andar. Pensamos em Mariupol e em outras zonas muito sensíveis, com civis encurralados – há crianças que dizem que não veem a luz do dia há meses”, precisou o Presidente da República.
“Pelo menos por aí, vamos ver que passos vão ser dados. Nestas situações militares, há um jogo de palavras em que aquilo que se diz é para produzir efeitos para os vários lados e depois é preciso descontar um bocadinho. Mas, para já, sabia-se que ia ser um processo discreto, difícil e que exige muito do secretário-geral da ONU”, apontou, mostrando-se pouco impressionado com a escalada verbal de Moscovo. “Declarações deste genéro, como as feitas por Lavrov, são uma parada verbal que existiu em todas as guerras. Mas da parada à realidade, é preciso ver como a realidade comporta essa concretização”, revelou Marcelo.
O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, nas celebrações do 25 de Abril na Assembleia da República, reforçou a necessidade de um reforço de meios para a Defesa nacional. O Presidente da República sublinhou a sua expectativa. “O Orçamento para a Defesa é uma discussão em curso até daqui a um mês. O que disse é mais amplo. Vivemos um novo mundo, que pode ter um novo equilíbrio geopolítico. E nesse equilíbrio pode haver mudanças radicais. Se a Finlândia e a Suécia entrarem na NATO, isso é uma mudança radical. A Defesa já não é só estar na fronteira de Badajoz, é muito mais do que isso”, referiu, precisando:
“Se quero um consenso entre forças políticas, e concretizo o que deve ser discutido, em vez de alargar diminuo as hipóteses de convergência. Há duas questões: equipamentos compatíveis com as missões que estamos a cumprir ou operações diferentes que exigem mais meios, o que pede um esforço continuado. Mas há outra questão, a motivação das pessoas: os equipamentos são importantes mas as pessoas têm de ser motivadas, com condições apelativas para lá continuaram. Tem de haver condições de promoção e de perspetiva de carreira que é muito importante. Agora, se as promoções chegarem sistematicamente com um ano de atraso, entre outos casos… os portugueses têm de perceber que para ter Forças Armadas é preciso criar condições”, criticou.
“As nossas forças estão em missões de paz, que são muito exigentes. Mas precisamos de ter as Forças Armadas prontas para quatro ou cinco meses é ter tudo preparado, com unidades do exército, se for necessário intervir, o possam fazer. E em número suficientes para não serem sempre os mesmos, como se tem passado na RCA (República Centro-Africana)”, finalizou Marcelo Rebelo de Sousa.














