Operação Mosi arranca hoje: África do Sul, China e Rússia vão realizar exercícios navais conjuntos

“Operação Mosi”, que na língua tswana significa “fumo”, perturbou os aliados da África do Sul no Ocidente

Francisco Laranjeira

Na passada segunda-feira, atracou no porto da Cidade do Cabo a fragata militar russa ‘Almirante Gorshkov’ para participar no controverso exercício naval tripartido com a China e a África do Sul, naquela que é a segunda operação militar do género, e que vai decorrer entre esta sexta-feira e o próximo dia 27.

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“A fim de fortalecer as relações já florescentes entre a África do Sul, a Rússia e a China”, as manobras conjuntas vão decorrer ao largo de Durban, o maior porto da África Austral, e de Richards Bay, cerca de 180 quilómetros a norte, segundo apontaram as autoridades sul-africanas. “Esta será a segunda vez que tal exercício é realizado na presença das três forças navais, tendo o primeiro ocorrido em Novembro de 2019 na Cidade do Cabo, África do Sul”, referiu o exército local, em comunicado, que salientou que estas manobras envolverão mais de 350 militares sul-africanos “de vários serviços e divisões” juntamente com “os seus homólogos russos e chineses com o objetivo de partilhar competências e conhecimentos operacionais”, precisou.

A “Operação Mosi”, que na língua tswana significa “fumo”, perturbou os aliados da África do Sul no Ocidente. Em Pretória para conversações com a sua homóloga, Naledi Pandor, o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, apontou que os exercícios navais não eram “a melhor ideia”.

Embora o Governo sul-africano não tenha comentado o calendário, “o facto de isto acontecer no aniversário da guerra da Ucrânia é extremamente embaraçoso”, garantiu Pauline Bax, vice-diretora do centro de pesquisa ‘International Crisis Group’. Diversos observadores concordam que as manobras militares são um golpe propagandístico significativo para Moscovo. Recorde-se que a África do Sul recusou-se sempre a condenar a guerra de agressão russa, reivindicando neutralidade no conflito.

No entanto, o exercício militar conjunto é visto por muitos diplomatas ocidentais como uma clara contradição do não-alinhamento da África do Sul.

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