O Irão pode estar a modificar os seus drones de ataque que fornece à Rússia para que as ogivas explosivas causem o maior dano possível às infraestruturas ucranianas, de acordo com um novo relatório de investigação citado pela CNN Internacional.
O Irão deu centenas de drones à Rússia para utilizar na sua ofensiva militar contra a Ucrânia, que teve início a 24 de fevereiro de 2022 e desde então não parou. Estes aparelhos atingiram já a rede elétrica e as instalações energéticas da Ucrânia com efeitos devastadores. Os ataques com drones, bem como as barragens de mísseis russos, deixaram civis ucranianos em todo o país sem eletricidade ou água durante os meses de inverno quando as temperaturas são negativas.
Em outubro de 2022 foi encontrada uma ogiva não deflagrada de um drone iraniano Shahed-131, na região de Odesa, que foi examinada pela organização britânica Conflict Armament Research (CAR) [Investigação de Armamento de Conflito], com sede no Reino Unido, em conjunto com militares ucranianos. Com a análise do objeto foi possível identificar que a sua composição permitiu à investida da Rússia uma maior eficácia no ataque às infraestruturas energéticas ucranianas nos últimos meses.
As ogivas, que medem pouco menos de 60 centímetros de comprimento, foram modificadas com camadas mal ajustadas de dezenas de pequenos fragmentos de metal que, no impacto, se espalharam por um grande raio, informaram os analistas. Para além dos fragmentos, existem também 18 “cargas” mais pequenas em torno da circunferência da ogiva que, quando derretidas pela explosão, podem perfurar armaduras e criar uma espécie de efeito explosivo de ‘360 graus’.
A acumulação desses elementos maximiza essencialmente a capacidade da ogiva de triturar alvos tais como centrais elétricas, redes de distribuição, linhas de transmissão e grandes transformadores de alta potência, indica o relatório ao acrescentar que tornam também os esforços de reparação substancialmente mais difíceis.
“É como se olhassem para a ogiva acabada e perguntassem: Como podemos tornar isto ainda mais destrutivo?”, comentou o investigador Damien Spleeters, que fez parte do grupo que examinou o aparelho.
Os drones, tais como tanques ou peças de artilharia, podem ser concebidos de forma diferente, ou seja, é possível instalar uma carga frontal que é utilizada para alvos mais concentrados segundo Spleeters. A ogiva examinada pela CAR, porém, tem um efeito de carga de forma radial, que pode resultar numa maior área de impacto.
Em outubro, o gerador de energia estatal da Ucrânia, Ukrenergo, relatou que cerca de 40% do fornecimento elétrico normal estava fora de serviço como consequência dos ataques russos e que a rapidez com que os danos são feitos não permite à Ucrânia repará-los. “Os ucranianos terão muito provavelmente de viver com apagões até, pelo menos, ao final de março”, alertou o CEO do fornecedor de energia YASNO, Sergey Kovalenko.
No mês passado, o Instituto para o Estudo da Guerra descobriu que as forças russas se tornaram cada vez mais dependentes dos drones nos ataques contra as infraestruturas críticas ucranianas, de tal modo que o seu arsenal destes objetos está a esgotar-se, poucos meses depois de o Irão ter começado a enviá-los.
A Rússia e o Irão concordaram em criar uma instalação de fabrico de drones dentro da Rússia, o que vai permitir ao país invasor um reabastecimento mais rápido, advertiram as autoridades ocidentais.













