Os progressos conquistados ao longo dos últimos no campo da igualdade de género sofreram um revés com a pandemia. De acordo com o Fórum Económico Mundial (FEM), será preciso esperar mais 36 anos para atingir a paridade entre homens e mulheres em termos salariais, por exemplo, o que significa que este objetivo foi atrasado uma geração.
Antes da crise sanitária provocada pela Covid-19, a previsão era de 99,5 anos até alcançar a igualdade e pôr fim ao fosso que separa homens e mulheres. Agora, os mais recentes dados apontam para 135,6 anos, devido à concentração de mulheres nas indústrias mais afetadas pelos confinamentos e restrições – como o turismo ou a restauração.
Além disso, o encerramento de escolas e creches levou a que mais mulheres ficassem em casa a tomar conta dos filhos, papel que ainda é muito associado ao sexo feminino. O FEM estima que 5% das mulheres tenha perdido o seu emprego durante a pandemia, o que compara com 3,9% dos homens. Além disso, um estudo do LinkedIn mostra que o ritmo de contratação de mulheres está a ser mais lento.
O FEM indica ainda que a Islândia é o país com os melhores níveis de igualdade de género em todo o Mundo, título que arrecada pela 12.ª vez. Finlândia, Noruega, Nova Zelândia e Suécia fecham o top 5.
A mesma análise, que assenta nos dados de 156 países, revela que os homens e as mulheres estão próximos de atingir a paridade em termos de educação e saúde, a nível global, mas que a distância entre os dois géneros a nível económico e político não apresenta melhorias significativas. Sinal disso é o número reduzido de mulheres em cargos de topo, mesmo nos países considerados mais avançados: as mulheres respondem por 42% dos cargos de liderança nos EUA, 37% no Reino Unido, 35% em França, 27% em Itália e 15% no Japão.
«A pandemia impactou fundamentalmente a igualdade de género tanto no local de trabalho como em casa, colocando em causa anos de progresso», afirma Saadia Zahidi, managing director do Fórum Económico Mundial. «Se queremos uma economia dinâmica no futuro, é vital que as mulheres sejam representadas nos empregos de amanhã.»














