Quase metade dos CEOs (45%) a nível global espera um retorno “ao normal” só no próximo ano. A conclusão é do mais recente “KPMG CEO Outlook Pulse Survey”, realizado junto de 500 líderes das maiores e mais influentes empresas de todo o Mundo de forma a perceber como está a ser planeado o pós-pandemia (próximos três anos).
Há ainda uma parte dos inquiridos (31%) que considera que o regresso poderá ser concretizado já no final deste ano. Independentemente da data, 24% acredita que o modelo de negócio foi alterado para sempre.
Uma das principais mudanças diz respeito ao regime de teletrabalho (presencial, remoto ou híbrido). Segundo o inquérito da KPMG, a “inclinação dos CEOs para o teletrabalho numa ótica de redução de custos diminuiu, pois reconhecem a importância da presença física dos seus colaboradores nos negócios no pós-pandemia”.
A grande maioria afirma que irá esperar que mais de 50% da população esteja vacinada para voltar ao escritório. Além disso, nove em cada 10 pretende questionar os seus trabalhadores sobre os respetivos planos de vacinação.
Segundo o estudo, 55% dos CEOs mostra preocupação com o demorado acesso dos trabalhadores à vacina contra a COVID-19. «Antes de quaisquer grandes decisões serem tomadas, os CEOs têm que estar confiantes que os seus recursos humanos estão protegidos contra a COVID-19. O cenário de ter os seus colaboradores vacinados confere uma dose de otimismo, sobre a qual se baseiam para preparar a nova realidade», explica Bill Thomas, global chairman da KPMG.
No geral, apenas 17% dos inquiridos procura reduzir a presença física no escritório na sequência da pandemia. Em Agosto do ano passado, 69% dos CEOs dizia pretender reduzir as dimensões físicas dos seus escritórios nos três anos seguinte, o que significa que os líderes estão agora menos inclinados para incentivar o trabalho remoto do que há seis meses.
Apenas três em cada 10 consideram um modelo híbrido e somente um quinto considera contratar novos colaboradores que trabalhem maioritariamente em modo remoto, o que contrasta com os 73% verificados em 2020.
A ascensão do ESG
Vítor da Cunha Ribeirinho, vice-presidente da KPMG Portugal, sublinha como o novo coronavírus veio impactar também o próprio papel do CEO na empresa e na sociedade. Segundo o responsável, o estudo evidencia que «muitos líderes empresariais deram voz a temas que até à data não tinham sido considerados, como as alterações climáticas e a prestação de apoio às comunidades onde operam». De acordo com Vítor da Cunha Ribeirinho, «é claramente preciso continuar neste sentido, pois há ainda muito para ser feito».
Segundo o estudo, quase metade dos CEOs planeia pôr em prática mais medidas no âmbito do “ESG” (Environment, Social, Governance). A maioria (89%) pretende “congelar” os ganhos na área da sustentabilidade e das alterações climáticas que as suas empresas obtiveram em resultado da pandemia. Adicionamento, 96% procura dar mais atenção à componente “social” dos seus programas de âmbito ESG













