A segunda onda de infecção pelo novo coronavírus na Europa é já inegável. Depois de um Verão pautado pelo desconfinamento, pelo suavizar das restrições e por uma redução do contágio, o número de novos casos confirmados voltou a disparar. Em Portugal, quebram-se novos recordes diariamente, tendo sido já ultrapassada a barreira dos 4 mil diagnósticos positivos em 24 horas.
Há países a considerar ou mesmo já a aprovar novos confinamentos, outros que optam pelo recolher obrigatório ou por implementar regras mais rígidas em regiões consideradas mais preocupantes. A Euronews reuniu as principais medidas tomadas por alguns dos gigantes europeus, que estão já num estado mais avançado na luta contra a segunda vaga da pandemia de COVID-19.
Alemanha
O país liderado por Angela Merkel optou por avançar com um “lockdown parcial” a partir de 2 de Novembro, ou seja, um confinamento que envolve o encerramento de bares, cafés e restaurantes a nível nacional. Também outros negócios, como os ginásios, serão obrigados a fechar portas.
Por outro lado, escolas e creches continuam a funcionar. O objectivo, garante a chanceler, «é evitar uma emergência de saúde nacional». Na última quarta-feira, a Alemanha registou novo recorde: 14 mil casos confirmados num só dia.
Bélgica
Com uma das piores taxas de letalidade em todo o Mundo, a Bélgica contabiliza neste momento perto de 10.900 mortes, fazendo com que o rácio chegue a 95,42 vítimas mortais por 100 mil habitantes. É a terceira taxa mais elevada a nível global, de acordo com a Universidade John Hopkins.
Para evitar que o número de infecções continue a subir na ordem dos 200% (em apenas 14 dias), o governo implementou recolher obrigatório e determinou o encerramento de bares, cafés e restaurantes. Os encontros e ajuntamentos sociais também foram limitados, bem como a circulação entre regiões.
Espanha
No país vizinho, o estado de emergência está de regresso e durará pelo menos 15 dias, mas poderá ser prolongado por seis meses. De acordo com o primeiro-ministro Pedro Sanchez, é este o período de tempo necessário para «ultrapassar a fase mais prejudicial da pandemia».
O estado de emergência chega com recolher obrigatório a nível nacional (que depois poderá ser revisto regionalmente ao fim dos 15 dias). Além disso, as viagens são altamente desencorajadas.
França
França é outro país a optar uma vez mais pelo confinamento, já a partir de hoje e até 1 de Dezembro. Todas os estabelecimentos comerciais que não sejam considerados essenciais têm de fechar e os cidadãos terão de preencher um formulário para justificar que precisem de sair de casa. Ainda assim, escolas, fábricas e sector da construção mantêm-se em funcionamento.
Cerca de 50 mil pessoas são infectadas todos os dias e 3 mil das 5 mil camas disponíveis nas unidades de cuidados intensivos já estão ocupadas com pacientes com COVID-19. Mais de 35.700 pessoas morreram desde o início da pandemia.
Itália
Um dos países mais afectados pela primeira vaga vê-se, agora, de novo a braços com as consequências do novo coronavírus. O primeiro-ministro Giuseppe Conte já anunciou novas medidas, nomeadamente recolher obrigatório e o encerramento de cinemas, teatros, ginásios e piscinas. Na passada quarta-feira, o número de novos casos de infecção chegou perto dos 25 mil.
Polónia
Só esta semana, a Polónia apresentou dois novos recordes de infecções diárias, elevando o total para cerca de 300 mil. Atingiu também um novo máximo em termos de vítimas mortais: 236 num só dia.
Perante este cenário, o governo está a mobilizar o exército de forma a que os soldados possam ajudar os profissionais de saúde na realização de testes. Além disso, espaços como o Estádio Nacional de Varsóvia estão a ser transformados em hospitais de campanha. Os bares e restarauntes estão fechados e não são permitidos ajuntamentos de mais de cinco pessoas.
Reino Unido
Dividir o território por secções é o plano do Reino Unido, mas não parece estar a funcionar. Segundo o Euronews, este continua a ser o país mais afectado da Europa e as restrições por localidades com base na situação epidemiológica não estão a abrandar o ritmo de infecção.
Cidades como Liverpool ou Manchester estão entre os principais focos de preocupação, situando-se no nível de alerta mais elevado (Tier 3). Um estudo divulgado esta semana indica que pelo menos 100 mil pessoas por dia estarão ser infectadas só em Inglaterra.
República Checa
Uma média de 12 mil novos casos por dia na última semana levou o governo checo a implementar medidas mais restritivas. Todos os negócios da área hoteleira foram encerrados, bem como as escolas.
Os ajuntamentos, por seu turno, não podem ir além de duas pessoas, pelo menos nos locais públicos. Além disso, o exército construiu um hospital de campanha com 500 camas na capital, Praga.
Suécia
Os bons exemplos costumam vir dos países nórdicos, mas a Suécia será excepção à regra. Depois de, na primeira vaga, ter recusado um confinamento rígido – apostando na imunidade de grupo -, agora pede aos cidadãos para evitar lojas e transportes públicos.
As discotecas e estabelecimentos de entretenimento nocturno também voltam a enfrentar restrições. Tudo para reduzir os números actuais: quase 118 mil casos confirmados e perto de 6 mil mortes desde o início da pandemia.














