Sondagem: eleitores do PS e PSD apoiam Bloco Central e mais de metade dos portugueses querem remodelação do Governo

Uma nova sondagem revela que 61% dos simpatizantes do PS e 53% dos do PSD consideram positiva uma eventual coligação entre os dois partidos.

Revista de Imprensa

A possibilidade de um Governo de Bloco Central está a ganhar aceitação entre os simpatizantes dos dois maiores partidos portugueses. Uma sondagem Expresso/SIC, realizada pelo ICS/ISCTE e pela GfK Metris, revela que 61% dos eleitores próximos do PS e 53% dos simpatizantes do PSD classificam como “boa” ou “muito boa” uma eventual coligação entre socialistas e sociais-democratas. Os resultados surgem num momento em que o Governo de Luís Montenegro enfrenta elevados níveis de insatisfação, com 75% dos inquiridos a avaliarem negativamente o desempenho do Executivo.

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Apesar da abertura demonstrada pelos eleitores dos dois partidos, a hipótese de uma coligação entre PS e PSD continua a dividir o conjunto dos portugueses. De acordo com o Expresso, 40% dos inquiridos consideram o Bloco Central uma solução “boa” ou “muito boa”, enquanto 39% a classificam como “má” ou “muito má”.

O debate sobre esta possibilidade voltou a ganhar destaque depois de uma carta aberta de antigos governantes a defender entendimentos entre os dois partidos. No PS, José Luís Carneiro tem apelado a uma maior reciprocidade por parte do PSD, enquanto Carlos César e Augusto Santos Silva já admitiram apoiar uma coligação formal de Bloco Central caso o Chega vença as próximas eleições.

Eleitores do PSD preferem entendimentos com o PS a uma coligação com o Chega

A sondagem mostra também que os portugueses continuam a privilegiar a negociação parlamentar em função de cada medida. Para 38% dos inquiridos, o Governo deve manter a estratégia de procurar acordos caso a caso, enquanto 31% preferem entendimentos entre a AD e o PS. Apenas 20% defendem negociações preferenciais com o Chega.

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Entre os simpatizantes do PSD, as preferências concentram-se sobretudo em duas soluções: acordos com os socialistas ou negociações pontuais com diferentes partidos. Só 14% defendem entendimentos parlamentares preferenciais com o Chega, embora esta percentagem tenha aumentado face aos 4% registados numa sondagem de março.

A possibilidade de uma coligação governamental entre PSD e Chega enfrenta uma oposição ainda mais expressiva. Segundo os dados divulgados pelo Expresso, 57% dos portugueses rejeitam essa hipótese, enquanto apenas 31% dos simpatizantes sociais-democratas admitem uma aliança pós-eleitoral com o partido de André Ventura.

As diferentes possibilidades de entendimento podem ter consequências para o futuro dos partidos. Esta semana, no seu espaço de comentário na SIC Notícias, o social-democrata Miguel Morgado admitiu que tanto uma coligação de Bloco Central como uma aliança com o Chega poderão provocar uma cisão histórica no PSD.

Governo de Montenegro soma 75% de avaliações negativas e maioria pede remodelação

O debate sobre futuras alianças surge numa altura particularmente difícil para o Executivo. A sondagem revela que 75% dos inquiridos avaliam negativamente o desempenho do Governo no último ano, com 53% a classificarem-no como “mau” e 22% como “muito mau”. Trata-se do valor mais elevado de avaliações negativas registado neste indicador pelo barómetro ICS/ISCTE desde fevereiro de 2019. Mesmo entre os simpatizantes do PSD, 43% atribuem uma nota desfavorável ao Governo.

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A maioria dos portugueses considera também que chegou o momento de Luís Montenegro substituir alguns ministros. No total, 52% defendem uma remodelação governamental, contra 24% que entendem que ainda é cedo. A vontade de mudança é mais expressiva entre os simpatizantes do Chega, com 74%, e do PS, com 60%, mas também abrange 46% dos apoiantes do PSD.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, lidera a lista de governantes cuja saída é defendida pelos inquiridos favoráveis a uma remodelação, com 71% das referências neste grupo, o equivalente a 37% do total da amostra. Segue-se a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, apontada por 66% dos que querem mudanças, ou 34% do total. Fernando Alexandre, responsável pela Educação, é indicado por 18% dos inquiridos, enquanto Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, também surge entre os governantes apontados para substituição.

Economia preocupa portugueses e Orçamento do Estado recebe críticas

A insatisfação com o Governo acompanha uma avaliação negativa da situação económica. Segundo a sondagem Expresso/SIC, 74% dos portugueses consideram que a economia “piorou” ou “piorou muito” no último ano, uma percentagem superior aos 65% registados no início de 2026. Outros 21% entendem que a situação permaneceu igual e apenas 4% identificam melhorias. Entre os simpatizantes do PSD, 61% partilham uma avaliação negativa da evolução económica.

O Orçamento do Estado para 2027 também enfrenta críticas, embora 52% dos inquiridos reconheçam que não dispõem de informação suficiente para o avaliar. Ainda assim, 37% apresentam uma opinião negativa sobre o documento, contra apenas 11% que o avaliam positivamente. Entre os simpatizantes sociais-democratas, só 21% lhe atribuem uma nota favorável.

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No que respeita às prioridades orçamentais, 52% dos inquiridos consideram que o Executivo dá “pouca” ou “nenhuma” atenção à redução da carga fiscal. A perceção de insuficiente prioridade estende-se à melhoria dos serviços públicos, apontada por 39%, e ao aumento dos apoios sociais, referido por 40%. A anunciada abstenção do PS na votação do Orçamento também divide os portugueses, incluindo os simpatizantes socialistas, embora prevaleça uma avaliação negativa da decisão.

A sondagem foi realizada entre 16 e 25 de outubro de 2026, com coordenação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do Iscte, e trabalho de campo da GfK Metris. Foram contactados 2.900 lares elegíveis e realizadas 808 entrevistas válidas. A margem de erro máxima indicada é de 3,5 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%, considerando uma amostra aleatória simples.

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