Zelensky rejeita “UE e NATO light” e exige adesão plena da Ucrânia

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou esta terça-feira que o seu país não aceitará versões “light” de adesão à União Europeia ou à NATO, defendendo antes uma integração plena e sem compromissos nas duas organizações.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou esta terça-feira que o seu país não aceitará versões “light” de adesão à União Europeia ou à NATO, defendendo antes uma integração plena e sem compromissos nas duas organizações. A posição foi expressa durante uma conferência de imprensa conjunta com o chanceler alemão, Friedrich Merz, em Berlim.

“Quanto à adesão à União Europeia, estou muito satisfeito por a Alemanha e Friedrich Merz nos apoiarem. Toda a Europa conhece a nossa posição: não precisamos de uma ‘UE light’. Nem precisamos de uma ‘NATO light’”, declarou Zelensky perante os jornalistas.

O chefe de Estado ucraniano sustentou que a adesão deve ser completa e baseada na força institucional e militar da Ucrânia. “A Ucrânia tem de se tornar um membro pleno e forte de ambas as organizações, porque isso corresponde aos interesses tanto da Ucrânia como dos seus parceiros”, afirmou.

Zelensky sublinhou ainda que os aliados europeus e atlânticos beneficiariam da integração de Kiev como parceiro robusto. “Francamente, acredito que tanto a Europa como os países da NATO precisam da Ucrânia como um parceiro plenamente capaz e forte. Precisam do nosso exército — um exército forte”, enfatizou.

Defesa robusta e rejeição de formatos enfraquecidos
O Presidente ucraniano rejeitou igualmente qualquer proposta que implique um enfraquecimento das capacidades militares do país. “Ninguém precisa de uma versão ‘light’ do exército ucraniano. Que tipo de defesa seria essa? Por isso, acredito que este é um interesse mútuo”, acrescentou, defendendo a manutenção de forças armadas sólidas como elemento central da segurança europeia.

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As declarações surgem num momento em que o debate sobre a integração euro-atlântica da Ucrânia continua a dividir posições dentro da NATO. Recentemente, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, identificou quatro países que estariam a travar o avanço da adesão ucraniana, sublinhando as dificuldades políticas ainda existentes.

Data clara para adesão à União Europeia
Zelensky reiterou também a importância de qualquer futuro acordo para pôr fim à guerra incluir uma data concreta para a adesão da Ucrânia à União Europeia. Segundo o Presidente, essa definição é essencial para garantir compromissos firmes e evitar atrasos no processo de integração.

A Comissão Europeia, no pacote anual de alargamento adotado a 4 de novembro, confirmou que a expansão continua a ser uma prioridade para o bloco e que a adesão dos países candidatos — incluindo a Ucrânia — se está a tornar cada vez mais exequível.

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Ainda assim, deputados ucranianos têm alertado que a entrada na União Europeia até 2027 poderá ser irrealista, tendo em conta o ritmo das reformas internas e o número de procedimentos exigidos no processo de adesão.

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