Zelensky discursa em Davos: “Estamos no momento histórico em que vamos determinar se a força bruta vai dominar o mundo”

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursou esta segunda-feira no Fórum Económico Mundial em Davos.

Simone Silva

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa esta segunda-feira no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, começando a sua intervenção por dizer que este é “um momento histórico” para “determinar quem vai dominar o mundo”.

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“Estamos no momento histórico em que vamos determinar se a força bruta vai dominar o Mundo“, indica. “A História lembra-se de quanto mal uma pessoa pode causar se não for devidamente combatida“, acrescenta, referindo-se a 1938 e e a Adolf Hitler, indiretamente.

Zelensky sublinha que a Rússia tornou-se “um país de criminosos de guerra” e pede “sanções máximas”, de forma a dissuadir outros possíveis agressores no mundo de avançarem com iniciativas similares.

“Não deve haver qualquer comércio com a Rússia. Deve-se aproveitar para criar um novo precedente para a pressão que pode ser aplicada através de sanções“, afirma.

Do conjunto de sanções a aplicar à Rússia, o líder ucraniano destaca ainda um embargo total de petróleo russo; sanções aos bancos do país e o abandono do setor de tecnologias de informação russos.

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Para Zelensky, é também necessário estabelecer um precedente para a retirada total de todos os países estrangeiros da Rússia, para que não sejam usados ​​nos “interesses sangrentos” do país.

Assim, revela, qualquer empresa que deixe a Rússia é bem-vinda para se mudar para o mercado ucraniano, onde as empresas sairiam beneficiadas ao apoiar verdadeiramente a liberdade.

O presidente ucraniano refere que quanto mais rápido for o apoio a um país em guerra, mais valioso será, garantindo que se a Ucrânia tivesse recebido em fevereiro todas as armas que pediu e apoio político, e se a Rússia tivesse recebido sanções imediatas, milhares de vidas poderiam ter sido salvas.

E voltando-se para o enorme desafio de reconstruir a Ucrânia, Zelensky refere: “Oferecemos ao mundo a oportunidade de estabelecer um precedente para o que acontece se alguém tentar destruir um vizinho”.

“Convido-vos a participarem nessa reconstrução”, apela, adiantando que esta que pode ser parcialmente financiada encontrando ativos russos escondidos no exterior, congelando-os e alocando-os a um fundo especial para ajudar os feridos pela guerra. “Não é fácil, mas depois disso não haverá motivação dos agressores para fazerem o que a Rússia fez”, afirma.

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Na fase final do seu discurso, o líder ucraniano cita George Marshall (do plano de reconstrução da Europa pós-Segunda Guerra Mundial), dizendo que não se opõe a nenhum país, mas sim à “fome, pobreza, desespero, caos”.

Essa é a esperança de Zelensky para o futuro, ao encerrar o seu discurso. No fim, é aplaudido de pé pelo público em Davos, num momento raro do Fórum Económico Mundial.

Depois de terminar o discurso, na fase de perguntas e respostas, questionado sobre qual a sua visão para o futuro da Ucrânia, Zelensky fala no presente primeiro, dizendo que há hoje 87 cadáveres, vítimas do conflito.

“O futuro da Ucrânia estará lá, mas sem eles. A Ucrânia está a perder muito, todos os dias, mas isso fortalece-nos”, sublinha, adiantando que o futuro do país incluirá novas e fortes prioridades de segurança.

Segundo o responsável, a Ucrânia deve criar condições em que as pessoas e as empresas não tenham medo de existir e prosperar, o que inclui um sistema de defesa e segurança atualizado e moderno, bem como, “acordos de defesa cooperativa com países que respeitamos”.

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Sobre a crise alimentar, Zelensky refere que a Rússia está a roubar grãos da Ucrânia, tendo bloqueado os seus portos no Mar Negro. O responsável rem conversado com muitos líderes, como Boris Johnson, os líderes da Polónia, Turquia e Suíça, e a ONU, para encontrar soluções.

Para o líder ucraniano, deve ser estabelecido um corredor para permitir exportações, como trigo e óleo de girassol. Caso contrário, haverá escassez desses produtos alimentares, na Ásia e África e em todos os locais.

“Temos de concordar com um corredor, e a Rússia não poderá opor-se aos principais países do mundo”, alerta Zelensky, sublinhando que poderiam ser usadas ferrovias ou portos marítimos na costa do Báltico.

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