Zelensky diz que Trump prometeu de garantias de segurança por 15 anos. Presidente da Ucrânia quer referendo ao plano de paz

O presidente da Ucrânia defendeu esta segunda-feira que o plano de paz de 20 pontos negociado com os Estados Unidos deve ser submetido a referendo, permitindo que os cidadãos ucranianos decidam diretamente sobre os termos que poderão pôr fim à guerra.

Pedro Zagacho Gonçalves

O presidente da Ucrânia defendeu esta segunda-feira que o plano de paz de 20 pontos negociado com os Estados Unidos deve ser submetido a referendo, permitindo que os cidadãos ucranianos decidam diretamente sobre os termos que poderão pôr fim à guerra. A posição foi apresentada numa conferência de imprensa online, realizada através de uma conversa com jornalistas numa plataforma de mensagens.

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Volodymyr Zelensky explicou que a realização de um referendo nacional pressupõe, obrigatoriamente, um cessar-fogo com uma duração mínima de 60 dias, sublinhando que só um período de estabilidade permitiria organizar uma consulta popular com garantias de segurança e legitimidade democrática.

Questões-chave continuam sem acordo
Apesar da existência de um plano estruturado em 20 pontos, o chefe de Estado ucraniano reconheceu que subsistem dois dossiês centrais ainda sem solução: o funcionamento da central nuclear de Zaporizhia, no sul do país, atualmente sob controlo russo, e o futuro dos territórios da região do Donbass, reivindicados por Moscovo.

“Duas questões permanecem: como funcionará a central nuclear de Zaporizhia e o problema dos territórios. Estas são as duas questões que permanecem”, afirmou Zelensky, frisando que “não há acordo” relativamente a estes pontos fundamentais.

Lei marcial só será levantada após garantias de segurança
Zelensky reiterou também que a lei marcial em vigor — que, entre outras medidas, impede os homens mobilizados de sair do país — apenas será levantada depois do fim efetivo da guerra e da obtenção de garantias de segurança sólidas para a Ucrânia.

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“Todos queremos que a guerra termine e só então a lei marcial será levantada. No entanto, o levantamento da lei marcial vai ocorrer quando a Ucrânia obtiver garantias de segurança. Sem garantias de segurança, esta guerra não pode ser considerada totalmente terminada”, declarou.

Trump terá prometido garantias por 15 anos
O presidente ucraniano revelou ainda que, na reunião realizada no domingo, o presidente norte-americano Donald Trump confirmou a disponibilidade dos Estados Unidos para conceder “fortes garantias de segurança” à Ucrânia por um período inicial de 15 anos, com possibilidade de prorrogação.

“Eu queria que essas garantias fossem mais longas. E disse [a Trump] que queremos considerar a possibilidade de 30, 40, 50 anos”, contou Zelensky, acrescentando que o chefe de Estado norte-americano se comprometeu a refletir sobre essa proposta.

Para o líder ucraniano, uma das garantias mais eficazes passaria pelo envio de tropas estrangeiras para o território ucraniano, como forma de dissuasão face a futuras agressões russas.

“Para ser honesto, sim. Acredito que a presença de tropas internacionais constitui uma garantia real de segurança, um reforço das garantias de segurança que os nossos parceiros já nos oferecem”, afirmou.

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Zelensky manifestou também a expectativa de que venha a realizar-se, muito em breve, um encontro em solo ucraniano entre responsáveis da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Europa, com o objetivo de acelerar as negociações para o fim do conflito.

“Nos próximos dias, queremos organizar uma reunião ao nível dos conselheiros. [O negociador ucraniano] Roustem Oumerov já está em contacto com todos os conselheiros americanos e europeus. Queremos que esta reunião se realize finalmente na Ucrânia, e acredito que faremos tudo o que for possível para que isso aconteça”, declarou.

O presidente ucraniano sublinhou ainda que considera essencial que o eventual acordo de paz seja assinado não apenas pela Ucrânia e pela Rússia, mas também pelos Estados Unidos e pelos países europeus, reforçando o seu carácter internacional e vinculativo.

No final da conferência, Zelensky acusou o presidente russo de manter uma postura contraditória, afirmando que as ações militares russas não correspondem ao discurso “pacífico” que Vladimir Putin terá apresentado a Donald Trump.

“Por um lado, [Putin] diz ao presidente dos Estados Unidos que quer acabar com a guerra”, referiu. “Por outro, comunica abertamente nos meios de comunicação social que quer continuar a guerra — ataca-nos com mísseis, fala abertamente sobre isso, celebra a destruição de infraestruturas civis, dá instruções aos seus generais sobre onde avançar”.

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“Estas ações não correspondem à retórica supostamente pacífica que ele usa nas suas conversas com o presidente dos Estados Unidos”, concluiu.

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