O presidente-executivo da Inditex, Óscar García Maceiras, afirmou que a retoma das operações da gigante espanhola na Rússia está fora de questão “nas condições atuais”. Em entrevista ao Financial Times, o CEO sublinhou que qualquer eventual regresso só ocorreria num “ambiente geopolítico mais favorável”.
A posição da Inditex, que detém marcas como a Zara, Massimo Dutti e Bershka, reforça a tendência de hesitação entre multinacionais ocidentais em regressar ao mercado russo, apesar de algumas declarações do Kremlin a apontar para uma reabertura a esse regresso. Segundo Maceiras, “as condições para voltar à Rússia certamente não estão reunidas neste momento”.
A Inditex foi uma das primeiras grandes empresas a suspender as suas operações na Rússia após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. No início de 2023, vendeu os seus ativos no país a um grupo ligado à família Daher, que já operava franquias da empresa no Médio Oriente. O acordo incluiu uma cláusula que permitiria à Inditex regressar através de um contrato de franquia com os novos donos, caso as circunstâncias mudassem.
Entretanto, a nova marca lançada pelos compradores — Maag — tem sido acusada de vender produtos muito semelhantes aos da Zara, recorrendo até aos mesmos fornecedores.
Do lado russo, o vice-ministro das Finanças, Ivan Chebeskov, confirmou esta semana que “nenhuma empresa ocidental pediu para regressar”, acrescentando que continuam a chegar “dezenas” de pedidos de saída do país. Em paralelo, o governo de Vladimir Putin tem endurecido a sua postura, admitindo dificultar ou até impedir o regresso de multinacionais.
Em maio, o parlamento russo propôs uma nova legislação que permitiria anular acordos de recompra com empresas ocidentais em condições consideradas desfavoráveis ao Estado. E esta semana, um tribunal de Moscovo autorizou a nacionalização forçada do aeroporto de Domodedovo — um sinal claro de alerta para quem pondera retomar atividade no país.














