XXVII Barómetro Executive Digest: Rui Lopes Ferreira, Super Bock Group

A análise de Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group

Creio ser bastante elucidativo quando quase 50% dos empresários inquiridos neste barómetro responderam que nenhuma das medidas enunciadas, e que foram aprovadas pelo Governo, servem o propósito das empresas face ao atual cenário geopolítico. Acompanho esta evidência, na medida em que em vez de uma lista mais ou menos exaustiva de apoios para todos os géneros e feitios, deveria ser dada maior liberdade às empresas para que atuarem face aquelas que são as suas maiores necessidades, as quais não andam afastadas também do que poderemos dizer ser o interesse nacional: reforçar a competitividade empresarial dentro e fora de portas, melhorar a produtividade, estimular uma maior capacidade de investimento. Para este efeito, uma simples medida de redução da carga fiscal, desburocratizada e liberta dos condicionalismos da tentação de que o Estado tudo sabe poderia ser bem mais eficaz do que a miríade de medidas elencadas e que tiveram a resposta neste barómetro.
Se o Estado continuar, simplesmente, a apoiar ou a subsidiar, mais não faz do que gerar expectativas e incentivar a dependência em vez do empreendedorismo e da inovação, que é o que é desejável. Nesta perspetiva também deveriam ser evitadas medidas que fiquem paralisadas na execução financeira. A este propósito recordo a auditoria do Tribunal de Contas que registou que 15 das 24 medidas de apoio ao tecido empresarial no âmbito da pandemia não aconteceram nos moldes previstos e que ficaram por executar mais 1,8 mil milhões de euros. Há que conseguir implementar, medir e mostrar resultados.
Já quanto às grandes mudanças na época pré-Covid confesso que a transição digital nas empresas será, talvez, a maior e a mais surpreendente pela forma como foi, genericamente, tão bem aplicada. O tecido empresarial, num contexto extremamente adverso, soube, de facto, reinventar-se fazendo uso de todo o potencial tecnológico, o que foi determinante para conseguir superar-se os desafios, e digo isto com conhecimento e numa realidade que nos é bastante próxima. Hoje, e como fica patente neste barómetro, mais de 90% dos inquiridos assume a agilidade digital e as operações mais ágeis como as mudanças mais significativas alcançadas nestes últimos anos. Vivendo ainda tempos tão incertos, o que não se pode travar é a capacidade de as empresas tomarem decisões em tempo oportuno e de forma ágil e flexível.

Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 201) da Executive Digest, no âmbito da XXVII edição do seu Barómetro.




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