XXVI Barómetro Executive Digest: Nelson Pires, Jaba Recordati

A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Este barómetro é bastante exemplificativo do estado de espírito dos líderes das organizações, que têm de ser cada vez mais P.O.L.C.I. como refiro no livro que publiquei. Têm de integrar a mudança e imprevisibilidade no negócio, a liderança de pessoas que mudaram os seus comportamentos, ganhar eficiência em processos num mundo que muda todos os dias, planear com razoabilidade mas por cenários que são incertos, organizar e controlar de forma a poder inverter decisões mal tomadas. E isso vemos no barómetro quando não existe uma orientação clara das opiniões dos líderes no sentido de crescimento de negócio ou no investimento que decidirão fazer. Portanto julgo que todos estamos um pouco a “gerir à vista” em relação a tomar decisões de investimento. No entanto, apenas gostaria de me focar em dois temas do barómetro: a questão relativa “ao que esperam os líderes do Governo neste período” e a questão da “saúde” que me é bastante próxima. Em relação à primeira, resumia numa palavra: “fiscalidade”. O que os líderes querem é um sistema fiscal equilibrado, previsível, que entusiasme a economia. Que permita reinvestir nas empresas mas não ser taxado por isso, que o IRC seja competitivo para atrair investimento (português e estrangeiro), que as medidas fiscais não sejam avulsas, que o IVA de algumas áreas muito dependentes da energia seja revisto. Ou seja, não pedem apoios, ajudas, favores mas apenas algo que qualquer plano de negócios inclui: um cenário macroeconómico com alguma estabilidade ou pelo menos, menor instabilidade fiscal, económica e financeira. Quanto à saúde, penso que a opinião dos líderes reflecte muito daquilo que defendo, sem ideologia, mas que o cidadão esteja no centro do modelo. Primeiro que devemos pensar num sistema de saúde onde o SNS está incluído e não só no SNS (incluir o privado, autárquico e o social). Depois que tem de existir “accountability” nos líderes das organizações de saúde, mas também delegação efectiva de responsabilidade para gerirem e tomarem decisões (e não delegação apenas de tarefas). Também assumir que a saúde é estratégica para o país não só como responsabilidade social do estado mas como factor de criação de riqueza directa e indirecta, portanto deve ser gerida pelo Ministério da Saúde e o da Economia. Finalmente que a atracção de talento e a sua manutenção (nomeadamente de profissionais de saúde como médicos e enfermeiros, entre outros), é um factor crítico de sucesso do sistema. E se não podemos aumentar os salários de um dia para o outro (como julgo que merecem alguns), devem ser avaliados e remunerados pelos resultados quantitativos e qualitativos, o seu regime fiscal pode (durante um período) criar um modelo que lhes permita maior rendimento disponível, um modelo que permita dinamizar a investigação, um modelo que permita revalorizar estes profissionais. Em suma, atrair e manter talento no sistema (e não só no SNS) pois vemos muitos profissionais de saúde a emigrar. Em suma, algo que falamos tanto em relação a outras áreas profissionais e que aqui é permanentemente esquecido!

Testemunho publicado na edição de Outubro (nº. 199) da Executive Digest, no âmbito da XXVI edição do seu Barómetro.




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