XXV Barómetro Executive Digest: Rui Minhós, Tabaqueira

A análise de Rui Minhós, Administrador e Director de Assuntos Institucionais da Tabaqueira

Num quadro de elevada incerteza – subida das taxas de juro, inflação em galopante escalada, custos de produção elevados, num contexto geopolítico conturbado – não deixa de ser notória, apesar dos pontos de interrogação que se perfilam no horizonte, o cenário optimista com que os líderes empresariais têm de lidar em 2022. Afinal, oito em cada 10 empresários estão a prever um aumento da facturação no final do ano (mais de metade acima dos 10%) e mais de um terço referem mesmo que o aumento da rentabilidade será o grande desafio empresarial que terão de enfrentar. Este é, pois, à partida, um ano de recuperação económica e de excelente desempenho económico para as empresas portuguesas – numa altura em que, em contraponto, o fantasma da recessão volta a assombrar algumas das maiores economias, como a Alemanha, onde os indicadores de confiança entre os empresários atingem os níveis mais baixos desde Junho de 2020, quando a pandemia sentenciava confinamentos forçados às mais variadas actividades económicas. Se é certo que, em Portugal, o sentimento actual parece ser bastante mais positivo, a verdade é que a incerteza reinante deve obrigar a uma rigorosa gestão de expectativas e a uma contabilidade apertada, uma vez que as variações dos custos de produção, assim como as alterações abruptas no comportamento dos consumidores, fruto de um contexto altamente volátil, podem colocar alguma pressão imprevista sobre o negócio. Ainda assim, e atendendo aos indicadores económicos que têm sido publicados pelo INE (por exemplo, o aumento das exportações em 31,2% no segundo trimestre de 2022), há que aproveitar o momento para continuar a investir – na competitividade, na inovação, na internacionalização, na capacitação e qualificação. Ao Estado cabe garantir condições para a recuperação e crescimento empresarial, num quadro de estabilidade fiscal. Sobretudo, assegurar a competitividade perante os nossos concorrentes internacionais. Nota final para aquele que me parece ser um tema prioritário: sem dúvida, o desafio do recrutamento e da retenção de talento, num quadro de baixas taxas de desemprego, como não se viam há duas décadas. Na Tabaqueira, subsidiária da Philip Morris International em Portugal, os últimos anos, ainda que severamente marcados pela pandemia, foram também um período de grande crescimento em número de trabalhadores. Mais de 300 em pouco mais de três anos para postos na operação nacional, mas também nos diversos centros de excelência que, a partir de Sintra, prestam serviços a diversos mercados do grupo. Saber atrair talento e, sobretudo, mantê-lo, oferecendo concretização profissional e florescimento pessoal serão os temas a marcar a agenda da liderança empresarial. Esperemos que, de facto, se mantenha como uma das prioridades no topo da lista no futuro mais próximo e que a realidade não dê a volta ao texto.

Testemunho publicado na edição de Agosto (nº. 197) da Executive Digest, no âmbito da XXV edição do seu Barómetro.




loading...

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.