XXV Barómetro Executive Digest: Rui Lopes Ferreira, Super Bock Group

A análise de Rui Lopes Ferreira, CEO da Super Bock Group

Acompanho o que a grande maioria dos empresários inquiridos revela neste painel. É inequívoco, e tenho defendido esta posição em vários fóruns, que Portugal apenas pode tornar-se mais atrativo para investir se o país for dotado um sistema fiscal mais competitivo e estável. O investimento estrangeiro é crucial para a economia portuguesa e é alvo de grande competição a nível internacional. Porquê? Em primeiro lugar, tem trazido inovação, competitividade e produtividade à economia nacional. Em segundo lugar, sendo Portugal fundamentalmente um país de PME’s, a sua capacidade de investimento estruturante é deficitária. E sabemos o quão estruturante tem sido fatia substancial do investimento estrangeiro, com casos paradigmáticos de elevação do valor acrescentado na economia nacional, e que exercem um forte “efeito de arrasto” que puxa por toda a cadeia de valor a montante (basta ver como toda a indústria de componentes automóvel foi fortemente dinamizada na sequência de um projeto bem conhecido). Acresce, e, portanto, em terceiro lugar, que sendo a taxa de poupança nacional bastante reduzida, a não acumulação de capital e a deficiente capitalização do tecido empresarial português tem limitado a nossa capacidade de investimento, quer pública quer privada, o que pode ser suprido (mas nunca na totalidade), por investimento direto estrangeiro. É neste contexto de colmatar lacunas existentes na economia nacional, que surge a necessidade, a meu ver imperiosa, de sermos competitivos na atração de investimento estrangeiro e, nessa matéria, para além de outros fatores como adequadas infraestruturas, boa formação de quadros ou justiça eficiente, a competitividade do sistema fiscal é fator crítico. Sabemos bem que não é uma tarefa fácil. Mas sem isso estou convicto que será pouco provável que venhamos a assistir a um crescimento sustentado da economia portuguesa.

Testemunho publicado na edição de Agosto (nº. 197) da Executive Digest, no âmbito da XXV edição do seu Barómetro.




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